Quando assistia as notícias na TV , ficava imaginando que não gostaria de passar por uma situação como essa nunca!! Pois bem, achava que estava livre dessa vez pois não havia programado nenhuma viagem, apenas lamentava pelas pessoas que se encotravam naquela situção. Mas não é que uma tia minha de repente liga dizendo que estava de vôo marcado para chegar em Recife vindo de Portugal e que iria embarcar no mesmo dia para o Rio. Quem disse?! Foi aí que começou a nossa via crucis.... em meio a vai e vem, explica aqui, pede ali, andando pra lá e pra cá no saguâo do aeroporto de Recife, implorando a um e a outro algo que parecia impossível, ou seja, conseguir embarcar em um vôo para o Rio de janeiro, tendo já pago com antecedência e muito caro pela passagem, mas parecia que estávamos pedindo favor. Uma senhora idosa, com problemas cardíacos, implorava junto comigo e minha família por um pouco de respeito e dignidade...em vão!!! É lamentável que tenhamos que passar por estas situções para perceber o quanto somos pouco importantes em um mundo dominado pelo dinheiro.
PS: Uma dica para os compradores da VARIG. Mudem de nome se quiserem continuar no mercado e não falem pra ninguém!!!!!!
Este blog tem a pretensão de promover cultura, discutir informações e entreter através de imagens, vídeos e artigos. Colabore com artigos e sejam bem vindos! Obrigado
11 agosto 2006
VARIG SINÔNIMO DE VENGONHA E FALTA DE RESPEITO
Amor gramatical
O substantivo gostou da situação. Era o prefácio que ele esperava: os dois a sós, sem ninguém ver nem ouvir. Não perdeu a oportunidade, começou a se insinuar, com perguntas e paráfrases. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára. Ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a se movimentar: só que em vez de descer, subiu e parou justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal para convencê-la a entrar em seu aposto.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em hiato, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um cedilha com gelo para ela. Ficaram conversando, confortavelmente instalados num acento, quando ele voltou à tônica, usando seu experiente adjunto adverbial. Vendo o objeto direto do seu desejo totalmente entregue à voz passiva, rapidamente lançou-se ao imperativo. Abraçaram-se numa pontuação tão minúscula que nem um período simples passaria entre os dois.Mas, apesar dos tremas e vocativos, ela resistia. Quando tentou soletrá-la, ela saiu de si: desferiu-lhe um travessão que o fez cair do acento. Oxítona como um pimentão, ela estendeu-lhe as aspas para ajudá-lo a levantar-se, e então confessou que ainda era vírgula. Depois de um silêncio infinitivo, ela ergueu-se numa ênclise e dirigiu-se intransitiva para a porta.Foi quando soou o tritongo. Num hífen, ele pulou para frente da porta, impedindo-a de abrir, com os olhos assustados de um sujeito indefinido. Tocaram de novo o tritongo, enquanto ela o olhava interrogativa, aguardando um complemento verbal qualquer que justificasse aquele adendo. Gramaticalmente, ele gesticulou para que ela se escondesse dentro do vocabulário, dizendo que depois lhe explicaria tudo.Isso é o cúmulo do gerúndio!, exclamou ela, abrindo enfim a porta.Surgiu então uma proparoxítona hiperbólica, cheia de bijuterias e asteriscos, exalando uma locução forte e barata.O que é esta trissílaba está fazendo em nosso aposto?, disparou.Metendo-se no meio das duas, o substantivo assumiu um ar circunflexo e disse que ia botar os pingos nos is, começando uma longa oração adjetiva explicativa: não havia ali nenhuma relação de gêneros envolvida; o artigo feminino era apenas uma vizinha que viera lhe pedir um colchete emprestado; conversavam a respeito do verbo auxiliar do prédio, cuja mãe estava com um adjunto adnominal incurável; estavam pensando em recolher proposições que... mas o próprio artigo feminino o interrompeu, soltando o verbo:- Eu é que não tomarei particípio neste bando de metonímias!, gritou superlativa, e aplicou-lhe um tritongo nasal que o fez cair de joelhos. Em seguida saiu, batendo a porta.O substantivo, então, voltou-se para sua proparoxítona:
- Não me venha com redundâncias! Quer saber a verdade? Sempre achei você um substantivo abstrato. Um mero ponto-e-vírgula, um diminutivo. Você não vale um til! Está vendo esta aliança? Pode mandar prolixo! E ponto final."Bem que me avisaram que toda proparoxítona é a acentuada...", pensou o substantivo. Sozinho em seu aposto, pôs-se a fazer um sumário sobre o ocorrido. No fim das crases, o pretérito havia sido mais-que-perfeito: conseguira livrar-se da proparoxítona, com quem a ligação já estava ficando um tanto defectiva. "Só espero que aquele artigozinho feminino não faça uma metáfora de mim para todo o edifício". Ele não queria que a verborragia chegasse aos ouvidos da vogal do 507, com quem sonhava viver uma conjunção coordenativa conclusiva. Era preciso reconhecer: ela tinha um conectivo de fechar o parágrafo!
Autor anônimo
03 agosto 2006
Saiba

Adriana Calcanhotto - Saiba
by Arnaldo Antunes
Saiba - Adriana Calcanhoto
Arnado Antunes
Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano
Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé
Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você
31 julho 2006
Brasil mostra a tua cara!!!
Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o
Brasil. E realmente parece que é um vício falar mal do
Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e
negativos, mas no exterior eles maximizam os
positivos, enquanto no Brasil se maximizam os
negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram
horrores porque não há nada automatizado. Só existe
uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar
reclamando do serviço, corre o risco de ter seu
telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito
de enrolar o sanduíche em um guardanapo ou de lavar as
mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues
europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma
mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar
famosíssimo que vende
batatas fritas enroladas em folhas de jornal e tem
fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de
não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe.
umam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau
humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no
Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar
o Cliente".
Você sabe como as grandes potências fazem para
destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se
você parar para observar, em todo filme os EUA a Bandeira
Nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos
emotivos. Temos uma língua que, apesar de não se parecer
quase nada com a língua portuguesa, é chamada de
língua portuguesa, enquanto que as empresas de software
a chamam de português brasileiro, porque não conseguem
se comunicar com os seus
usuários brasileiros através
da língua Portuguesa. Somos vítimas de vários crimes
contra nossa pátria, crenças, cultura,língua etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos
muitas razões para resgatar nossas raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no
combate à AIDS e de outras doenças sexualmente
transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está
participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos
países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a
mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal
Regional Eleitoral (TRE)estava informatizado em todas
as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24
horas depois do início das apurações.O modelo chamou a
atenção de uma
das maiores potências mundiais: os
Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser
refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando
em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os Internautas
brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na
América Latina.
6. No Brasil, temos 14 fábricas de veículos instaladas
e outras 4 se instalando, enquanto alguns países
vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3%
estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o
segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a
ada mês.
9. Na telefonia fixa, nosso país ocupa a quinta
posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.89% Possuem certificado
de qualidade ISSO 9000, maior número entre os países
em desenvolvimento. No
México, são apenas 300 empresas e
265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e
helicópteros executivos.
Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil?
1. Por que não nos orgulhamos em dizer que nosso
mercado editorial de livros é maior do que o da Itália,
com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
2. Que temos o mais moderno sistema bancário
do planeta?
3. Que nossas agências de publicidade ganham os
melhores e maiores prêmios mundiais?
4. Por que não falamos que somos o país mais
empreendedor do mundo e que mais de 70% dos
brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte
de seu tempo em trabalhos voluntários?
5. Por que não dizemos que somos hoje a terceira
maior democracia do mundo?
6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está
punindo seus próprios membros, o que raramente
ocorre
em outros países ditos civilizados?
7. Por que não nos lembramos que o povo brasileiro é
um povo hospitaleiro que se esforça para falar a
língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para
atendê-los bem?
8. Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz
piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos
de cabeça erguida.
É! O Brasil é um país abençoado de fato.
Bendito este povo, que possui o dom de unir
odas as raças, de todos os povos.
Bendito este povo, que sabe entender todos os
sotaques.
Bendito este povo, que oferece todos os tipos de
climas para contentar toda gente.
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas
que você puder. Talvez não consigamos mudar a atitude
de cada brasileiro que ler estas palavras, mas,
pelo
menos, por alguns momentos, ele irá refletir e se
orgulhar de ser BRASILEIRO!
28 julho 2006
27 julho 2006
Cotas nas Universidades
Teses e truques
Míriam Leitão
Em vez de discutir cota, é melhor investir na educação. Não se deve adotar um sistema que separa por raça, pois isso criará racismo. Não se pode ferir o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Nunca pode ser revogado o princípio do mérito acadêmico. Os argumentos se repetem e parecem ótimos. Escondem a mesma resistência ao tema racial que temos mantido desde a abolição e as conclusões estão truncadas. Nunca, os que defendem cotas raciais na universidade propuseram a escolha entre cotas e qualidade da educação. Não há essa dicotomia. É uma falsidade para truncar o debate. É fundamental melhorar a educação em todos os níveis. As cotas raciais não revogam essa idéia. O princípio da igualdade perante a lei é a pedra que sustenta as sociedades democráticas e modernas. As ações afirmativas não vão revogá-lo. A igualdade perante a lei sempre conviveu com o tratamento diferente aos desiguais. Na área tributária, a regressividade, por exemplo: a alíquota para os
mais ricos é maior. As transferências de renda são para quem tem renda abaixo das linhas de pobreza e miséria. Mulheres estão sub-representadas na política e, para tentar vencer isso, há a cota de 30% nas candidaturas. No comércio internacional, existe o princípio do tratamento diferenciado para os países mais pobres. Há muito tempo, o Direito convive com os dois princípios, como complemento um do outro. Um garante o outro. Tratar da mesma forma os desiguais acentua a desigualdade. O princípio da igualdade perante a lei é apresentado na discussão como um truque. Não há conflito entre ele e o outro
princípio civilizatório do tratamento diferenciado aos desiguais. Quem quer defender o princípio da igualdade perante a lei deveria fazer um manifesto contra, por exemplo, a aberração de prisão especial para criminosos com curso superior. O mérito acadêmico tem que ser preservado na formação universitária. Ele não está sob ameaça com medidas para aumentar o ingresso de negros na universidade. As avaliações de desempenho de diversas universidades mostram que não há esse risco. Os adversários das cotas rejeitam as avaliações dizendo que ainda não foi feito um estudo consistente. O mesmo argumento invalida seus próprios argumentos de que a qualidade da universidade estará em risco com as cotas. A universidade americana, que nunca abriu mão do mérito acadêmico, dá pontuação diferenciada por razões raciais, sociais e até aos esportistas no ingresso nas escolas. Não podem ser adotadas políticas que incentivem o racismo. Quem discordaria disso? Esse argumento usado contra as cotas é um dos mais perversos truques. As políticas de ação afirmativa não vão criar o racismo. Não se
cria o que já existe. O Brasil tem um fosso enorme, resistente, entre brancos e negros e é esse fosso que se pretende vencer. Sem o incentivo à mobilidade, o Brasil carregará para sempre as marcas da escravidão. Ela tem se eternizado por falta de debate e de políticas dedicadas a superar o problema. Empresas internacionais adotam há tempos metas para aumentar a diversidade de seus funcionários, executivos e gerentes. É um objetivo desejável no mundo multiétnico e que se quer menos racista e menos injusto. Órgãos públicos americanos usam nas suas contratações mecanismos para aumentar a representatividade das várias partes da sociedade. Governos diversos usam incentivos para determinadas políticas como parte dos seus critérios de seleção de fornecedores nas compras governamentais. Nada há de errado e novo nessas políticas. O que há é que, pela primeira vez, fala-se em usar esses mecanismos para promover a ascensão dos negros no Brasil. O país tem um horror atávico a discutir o tema. Já se escondeu atrás de inúmeros sofismas. Acreditava estar numa bolha não racial, um país diferente, justo por natureza. Não existe raça. É fato. Biológica e geneticamente não existe, como ficou provado em estudos recentes. Isso é mais um argumento a favor das políticas anti-racistas e não o contrário. Os avanços acadêmicos na área só servem para mostrar que os negros são mais pobres, têm piores empregos, ganham menos, não por qualquer incapacidade congênita, mas por falha da sociedade em construir oportunidades iguais. Isso se corrige com políticas públicas, iniciativas privadas, para desmontar as barreiras artificiais ao acesso dos negros à elite. O debate é livre e benéfico. O problema não é o debate, mas alguns dos argumentos. E pior: os truques. Acusar de promover o racismo o primeiro esforço anti-racista após 118 anos do fim da escravidão é uma distorção inaceitável.
Quem gosta do Brasil assim deve ter a coragem de dizer isso. Quem não acha estranho, nem desconfortável, entrar nos restaurantes e só ver brancos, ver na direção das empresas apenas brancos, conviver com uma elite tão monocromática, tudo bem. Deve simplesmente dizer que prefere conservar o Brasil como ele é, com os brancos e negros mantidos assim: nesta imensa distância social.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Economia Tamanho: 814 palavras
Edição: 1 Página: 20
Coluna: Panorama Econômico Seção:
Caderno: Primeiro Caderno
Agência O Globo
21 julho 2006
Santa Teresa olhando a Lapa
Santa Teresa olhando a Lapa
Foto de parte do Centro do Rio onde fica a Lapa.
Quase no centro da foto está Fundição Progresso e mais abaixo encoberto o famoso Circo Voador.
À espera dos seus fieis freqüentadores estão a esquerda a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e no centro os Arcos da Lapa - pecado e salvação lado-a-lado.
Na parte superior da foto estão em destaque os três prédios mais poderosos do Brasil: O mais alto é a sede administrativa do Banco do Brasil - agência 001. O prédio todo negro é o BNDES. E no centro deles está o prédio da Petrobrás com seus jardins suspensos. Ligeiramente encoberto pelo prédio da Petrobrás está a agência Central da Caixa Econômica Federal e seu malfadado SFH.
Para os pecadores a Lapa não fecha e não tem dia. É a velha boêmia carioca de ontem que nem o tempo apagou.
♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪
[ ♪ ] Música do Dia - Chico Buarque - Homenagem ao Malandro
Uploaded by ! Claudio Lara ♫ on 10 Aug '05, 5.12pm PDT.
20 julho 2006
Pra quem acredita que os "chefes do tráfico" são todos ignorantes, leiam isso..
>Editoria: Segundo Caderno
>Edição: 1, Página: 8
>Coluna: Arnaldo Jabor
>
> Entrevistado: Marcos Willians Herbas Camacho – Marcola
>
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.
- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível...
Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o
problema da miséria.. O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de
renda, poucas favelas, ralas periferias...
A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez
alocou uma verba para nós?
Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a
"beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas...
Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de
medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social...
Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- "Mas... A solução seria..."
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um
erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por
cima da periferia de São Paulo?
Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com
um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico,
revolução na educação, urbanização geral; tudo teria de ser sob a batuta quase
que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática
secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287
sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que
impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país,
teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais
e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...). E tudo isso
custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na
estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
"- Você não têm medo de morrer?"
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem
entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora.... Nós somos
homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do
Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte,
a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos,
diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque
do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala...
Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja
herói?" Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha...
Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?
Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados
todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país.
Não há mais proletários, ou infeliz ou explorados. Há uma terceira coisa
crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se
diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade.
Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com
autorização da Justiça?" Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie
de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada
pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com
chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são
fungos de um grande erro sujo.
- "O que mudou nas periferias?"
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar
não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório...
Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma
empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no
"microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado, quebrado, dominado por
incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão.
Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra
estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados.
Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm
mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade.
Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós
somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são
odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora,
somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos
esquecem assim que passa o surto de violência.
- "Mas o que devemos fazer?"
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado,
senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de
cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército?
Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está
quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano,e o Lula ainda
aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar
contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há
perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas
brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns
Stingers aí...
Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente
acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou?
Ipanema radioativa?
- "Mas... Não haveria solução?"
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a
"normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma
autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... Na boa... Na
moral.. Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e
vocês... Não têm saída. Só a merda.
E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por
quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o
divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!"
Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno
18 julho 2006
Tudo pelo sexual
Ricardo Calil
Com apenas uma semana de exibição, "Páginas da vida" produziu um cardápio sexual inédito para uma novela brasileira. No primeiro capítulo, Manoel Carlos ofereceu um aperitivo do que estava por vir, com uma generosa dose de sexo verbal. Várias personagens mostraram-se frustradas com o desempenho de seus parceiros, a começar pela protagonista Helena (Regina Duarte). “Eu sinto o mesmo tesão de sempre. Mas o sexo agora é meio formal. Ele bate ponto, vira pro lado e dorme. Antes, a gente transava pra valer. Agora viramos funcionários públicos do sexo”, reclamou Helena.
Dois dias depois, o cardápio foi incrementado com cenas de strip-tease, voyeurismo e uma insinuação de sexo a três. Em sua noite de núpcias, Olivia (Ana Paula Arósio) e Silvio (Edson Celulari) chamaram Isabel (Vivianne Pasmanter) para fotografá-los com roupas de baixo e excitarem-se com a fantasia de um ménage à trois. Quando a fotógrafa foi embora, Olivia fez um strip-tease para Silvio, deixando Arósio totalmente nua em cena, com os seios e parte da bunda à mostra – em uma seqüência que ficou, em conteúdo e estética, muito próxima aos programas soft core exibidos de madrugada pelo Multishow. Na cena seguinte, dois adolescentes observaram Sandra (Danielle Winits) trocar de roupa por uma fresta na porta. Ela ficou apenas com uma calcinha, de costas, mas foi possível ver seus seios, de relance.
No sábado, a verve sexual da novela chegou ao paroxismo com o depoimento real de uma mulher anônima de 68 anos sobre sua descoberta do orgasmo pela masturbação. "Com 45 anos, ganhei um LP do Roberto Carlos, botei na vitrola a música 'Côncavo e Convexo' e fui dormir. E, quando acordei, estava com a perna suspensa, a calcinha na mão e toda babada. Comentei com as amigas, elas disseram: 'Você gozou!'. Aí que vim saber o que era gozo. Moral da história: sou uma mulher de 68 anos, que homem pra mim não faz falta, eu mesma dou meu jeito."
Se o sexo na novela tivesse se resumido a um episódio isolado, Manoel Carlos poderia argumentar que era uma exigência dramática de uma determinada cena. Mas, com o acúmulo de ocorrências, fica claro o caráter apelativo e programático da iniciativa. A lógica por trás de "Páginas da vida" ficou muito parecida com a do comércio do sexo: oferece um programa sexual em troca de um pagamento. No caso da novela, as moedas são a polêmica e a audiência.
Mas há um componente perverso em "Páginas da vida": no mesmo programa, misturam-se o sexual e o social, o erótico e o educativo, sem que os limites entre um e outro fiquem claros. Em sua primeira semana, a novela não apenas bateu recordes de cenas de sexo, como também de merchandising social. Para cada apelação, houve uma boa causa – seja a defesa do parto natural ou o ataque ao preconceito contra portadores de síndrome de Down.
Até agora, "Páginas da vida" alternou-se, de maneira bipolar, entre a sacanagem e a correção política, como se a Globo acreditasse que a segunda anula a primeira. O mais provável é que elas se confundam na cabeça do espectador. Afinal, o depoimento sobre masturbação de uma senhora de 68 anos é um avanço no tratamento do sexo por uma novela ou uma busca desesperada pela audiência?
Uma coisa é certa: a cena foi inapropriada e constrangedora, passou dos limites do bom senso e do bom gosto. Não porque mostrou a sexualidade de uma mulher de terceira idade. Mas porque sua descrição da masturbação foi chula, grosseira. O depoimento pode ter o efeito inverso ao desejado: em vez de provocar polêmica e aumentar a audiência, dar munição aos conservadores e despertar a rejeição dos espectadores à novela. A Globo está superestimando a vontade do público de ver sexo na TV. Quem quer ouvir – ao lado da mulher, da sogra e dos filhos - que alguém ficou "toda babada" ouvindo "Côncavo e Convexo"?
17 julho 2006
Superman

Nilo do Anjos
A Copa de Zidane

Eu não vinha gostando da Copa de 2006. Não por causa do tombo da nossa seleção, numa derrota que causou mais raiva do que tristeza. O que estava me deixando frustrado na mais recente edição do maior evento esportivo do planeta era a ausência do fator humano. Nenhum craque de verdade havia brilhado na competição e os esquemas táticos conservadores vinham ofuscando o brilho dos jogadores, de forma que a defesa da Itália – assim, sem nomes, no sentido coletivo – obtinha mais destaque do que qualquer atleta.
Foi quando a cabeçada de Zidane em Materazzi recolocou as coisas em seus devidos lugares. Em mim, pelo menos, aquela cabeçada teve o mesmo impacto que no peito do zagueiro italiano. “A dor não pode mais do que a surpresa” – escreveu Guimarães Rosa. A dor de ver Zidane abrindo mão de um fecho glorioso para a sua carreira só não foi maior do que a minha surpresa ao acompanhar seu gesto final. O ato de Zidane relembrou-me que o futebol, felizmente, é praticado por indivíduos, sempre sujeitos a falhas e destemperos. Conforme o final da prorrogação se aproximava, o mundo pressentia o desfecho épico para uma Copa carente de brilho individual. Tal desfecho seria a consagração de Zidane, que marcaria o gol da vitória, daria um passe para o gol do campeonato ou levaria sua equipe ao título na disputa de pênaltis. Mesmo se perdesse nos pênaltis, o craque francês já teria assegurado seu papel de grande herói. Só que Zidane não quis entrar para a história como personagem épico – mas como um personagem trágico.
Eu não consigo me lembrar de outro mito do esporte que, a instantes da glória, tenha jogado tudo fora para fazer valer os seus princípios ou a sua honra. Muitos poderão dizer, com razão, que faltou esperteza ao francês. Poderão alegar, com razão, que Pelé deve ter colecionado milhares de xingamentos racistas, sem jamais ter posto em risco sua carreira por conta de um revide fora de hora. Só que Pelé era Pelé, a quase-perfeição em forma de atleta, enquanto Zidane... Bem, Zidane é antes de mais nada Zinedine – ou simplesmente Zizou –, filho de imigrantes argelinos de Marselha, que teve que lutar a vida inteira para ser respeitado numa França marcada por preconceitos de raça e religião.
Nos instantes em que ouviu Materazzi construir de forma ardilosa, palavra por palavra, sua provocação insidiosa, ofendendo, dizem, a mãe, as filhas do craque e talvez até Alá, o homem Zidane, com um ombro estropiado e fisicamente exaurido após 109 minutos da partida que seria a última antes de sua aposentadoria, perdeu a batalha íntima para o menino Zizou. Não. Nem mesmo numa final de Copa do Mundo Zizou permitiria que alguém xingasse seus familiares ou rebaixasse seu Deus. Poderia ter quebrado a perna do ofensor, mas isso denotaria deslealdade. Poderia ter esbofeteado o infame, mas preferiu não sujar as mãos. Como um touro fustigado antes da última faena, Zidane preferiu a cabeçada. E foi assim que o grande craque se despediu dos gramados não com uma taça nas mãos, mas com um cartão vermelho brandido frente a seu rosto.
Zidane salvou a Copa do Mundo porque devolveu à competição sua dimensão humana. Porque nada, absolutamente nada é mais extraordinário do que o ser humano, em seu patético esplendor. Ele salvou do limbo uma Copa triste – e eu o respeito por isso. Mandou às favas contratos milionários de publicidade, assessores de imprensa, conselhos de marqueteiros e todas essas coisas que vêm tirando a graça do futebol para mostrar-se exatamente como é: com erros e acertos; sem juízo, mas com sangue nas veias. Só ficarei decepcionado se um dia ele se confessar arrependido pelo que fez. Que o craque da Copa jamais faça as pazes com o mundo, para poder continuar em paz consigo mesmo. Que Zidane e o menino Zizou permaneçam fiéis um ao outro – e assim vivam felizes para sempre.
13 julho 2006
Impressionante!!!
Vejam como este casal troca rápido de roupa e no final você estará se perguntando como foi possível.