06 janeiro 2010

Fwd: Carta de Gilberto Geraldo Garbi para Lula.

*Carta de Gilberto Geraldo Garbi para Lula.*

*Gilberto Geraldo Garbi foi um dos alunos classificados a seu tempo como UM
DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre
outras honrarias que recebeu daquela instituição.*

*Depois de graduado, desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor
Técnico e Diretor- Presidente, sendo depois Presidente da TELEBRAS, sendo,
depois, presidente da NEC.*


*A CAMINHO DOS 99,9999995%*
* (Gilberto Geraldo Garbi)**
**
Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que, segundo as últimas
pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordes anteriores de
popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva. *

*É, realmente, algo nunca antes visto nesse país e eu fiquei me perguntando
o que poderemos esperar das próximas consultas populares.
Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamais bateria
Hítler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder 82% de
aprovação. *

*Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixou para trás o
psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para Fidel Castro e
para aquele tiranete caricato da Coreia do Norte, cujo nome jamais me
interessei em guardar. *

*Mas Lula tem uma vantagem sobre os dois ditadores: aqui as pesquisas
refletem verdadeiramente o que o povo pensa, enquanto em Cuba e na Coreia do
Norte as pesquisas de opinião lembram o que se dizia dos plebiscitos
portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazar fica; NÃO, Salazar não
sai; brancos e nulos sendo contados a favor do governo.*

*(Quem nunca ouviu falar em Salazar, por favor, pergunte a um parente com
mais de 60). **
**Portanto, a popularidade de Lula ainda tem espaço para crescer, para
empregar essa expressão surrada e pedante, mas adorada pelos economistas. *

*E faltam apenas cerca de 16% para que Lula possa, com suas habituais
presunção e imodéstia, anunciar ao mundo que obteve a unanimidade dos
brasileiros em torno de seu nome, superando até Jesus Cristo ou outras
celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de alguma oposição.
Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia a dar a seu
hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero, porque de
99,9999995% você não passa.

Como você não é muito chegado em Aritmética, exceto nos cálculos
rudimentares dos percentuais sobre os orçamentos dos ministérios que você
entrega aos partidos que constituem sua base de sustentação no Congresso,
explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 de habitantes, um dos quais sou eu.
Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ou seja, 0,0000005% enquanto os
demais brasileiros totalizam os restantes 99,9999995%. Esses, talvez, você
possa conquistar, em todo ou em parte. Mas meus humildes 0,0000005% você
jamais terá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o
dinheiro com que você tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da
política brasileira, não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de
que **você foi o pior dentre todos os presidentes que tive a infelicidade de
ver comandando o Brasil em meus 65 anos de vida. **
**
**E minha convicção fundamenta-se em um fato simples: desde minha
adolescência, quando comecei a me dar conta das desgraças brasileiras e a
identificar suas causas, convenci-me de que na raiz de tudo está a
mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam a
esperteza e o sucesso a qualquer custo; dos que detestam o trabalho e o
estudo; dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal;
dos que almejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas;
dos que criam infindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos; dos que
desprezam a justiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa; dos que só
reclamam dos privilégios por não estar incluídos entre os privilegiados; dos
que enriquecem através dos negócios sujos com o Estado; dos que vendem seus
votos por uma camiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família; dos
que são de tal forma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas
prostitutas da política e beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas
migalhas do muito que lhes vem sendo roubado desde as origens dos tempos;
dos que são incapazes de discernir, comover-se e indignar-se diante de
infâmias. **
**
Antes e depois de mim, muitos outros brasileiros, incomparavelmente melhores
e mais lúcidos, chegaram à mesma conclusão e, embora sejamos minoria,
sinto-me feliz e honrado por estar ao lado de Rui Barbosa. Já ouviu falar
nele? *

*Como você nunca lê, eu quase iria sugerir-lhe que pedisse a algum de seus
incontáveis assessores que lhe falasse alguma coisa sobre a Oração aos
Moços... Mas, esqueça... Se você souber o que ele, em 1922, disse de
políticos como você e dos que fazem parte de sua base de sustentação, terá
azia até o final da vida.

Pense a maioria o que quiser, diga a maioria o que disser, não mudarei minha
convicção de que este País só deixará de ser o que é uma terra onde as
riquezas produzidas pelo suor da parte honesta e trabalhadora é saqueada
pelos parasitas do Estado e pelos ladrões privados eternamente impunes quando
a mentalidade da população e de seus representantes for profundamente
mudada. *

*Mudada pela educação, pela perseverança, pela punição aos maus, pela
recompensa aos bons, pelo exemplo dos governantes. *

*E você Lula, teve uma oportunidade única de dar início à mudança dessa
mentalidade, embalado que estava com uma vitória popular que poderia fazer
com que o Congresso se curvasse diante de sua autoridade moral, se você a
tivesse.*

*Você teve a oportunidade de tornar-se nossa tão esperada âncora moral, esta
sim, nunca antes vista neste País. *

*Mas não, você preferiu o caminho mais fácil e batido das práticas
populistas e coronelistas de sempre, da compra de tudo e de todos.*

*Infelizmente para o Brasil**, mas felizmente para os objetivos pessoais
seus e de seu grupo, você estava certo: para que se esforçar, escorado
apenas em princípios de decência, se muito mais rápido e eficiente é comprar
o que for necessário, nesta terra onde quase tudo está à venda? *

*Eu não o considero inteligente**, no nobre sentido da palavra,** porque uma
pessoa verdadeiramente inteligente, depois de chegar aonde você chegou,
partindo de onde você partiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e
sua malta alegremente surfam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de
vaidade e autoidolatria. *

*Mas reconheço em você uma esperteza excepcional:** **nunca antes neste País
um presidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as
piores qualidades da massa brasileira e de seus representantes**. *

*Esse é seu legado maior, e de longa duração: **o de haver escancarado a
lúgubre realidade de que o Brasil continua o mesmo que Darwin encontrou
quando passou por estas plagas em 1832 e anotou em seu diário: Aqui todos
são subornáveis.*

*Você destruiu as ilusões de quem achava que havíamos evoluído em nossa
mentalidade e matou as esperanças dos que ainda acreditavam poder ver um
Brasil decente antes de morrer. **
**Você não inventou a corrupção brasileira, mas fez dela um maquiavélico
instrumento de poder, tornando-a generalizada e fazendo-a permear até os
últimos níveis da Administração. *

*O Brasil, sob você, vive um quadro que em Medicina se chamaria de
septicemia corruptiva. *

*Peça ao Marco Aurélio para lhe explicar o que é isso. *

*Você é o sonho de consumo da banda podre deste País, o exemplo que os
funcionários corruptos do Brasil sempre esperaram para poder dar, sem
temores, plena vazão a seus instintos.** *

*Você faz da mentira e da demagogia seu principal veículo de comunicação com
a massa.** *

*A propósito, o que é que você sente, todos os dias, ao olhar-se no espelho
e lembrar-se do que diz nos palanques?*
*Você sente orgulho em subestimar a inteligência da maioria e ver que vale a
pena? *

*Você mentiu quando disse haver recebido como herança maldita a política
econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente
e que fez a economia brasileira prosperar.*

*Você mentiu ao dizer que não sabia do Mensalão.*

*Mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho.*

*Mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestar
contas.*

*Mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros cumpanheros pegos em
flagrante.*

*Mente quando, para cada plateia, fala coisas diferentes, escolhidas sob
medida para agradá-las.*

*Mentiu, mente e mentirá em qualquer situação que lhe convenha. **
**Por falar em Ongs, você comprou a esquerda festiva, aquela que odeia o
trabalho e vive do trabalho de outros, dando-lhe bilhões de reais através de
Ongs que nada fazem, a não ser refestelar-se em dinheiro público, viajar,
acampar, discursar contra os exploradores do povo e desperdiçar os recursos
que tanta falta fazem aos hospitais.
Você não moveu uma palha, em seis anos de presidência, para modificar as
leis odiosas que protegem criminosos de todos os tipos neste País sedento de
Justiça e encharcado pelas lágrimas dos familiares de tantas vítimas. *

*Jamais sua base no Congresso preocupou-se em fechar ao menos as mais
gritantes brechas legais pelas quais os criminosos endinheirados conseguem
sempre permanecer impunes, rindo-se de todos nós. *

*Ao contrário, o Supremo, onde você tem grande influência, por haver
indicado um bom número de Ministros, acaba de julgar que mesmo os condenados
em segunda instância podem permanecer em liberdade, até que todas as
apelações, recursos e embargos sejam julgados, o que, no Brasil, leva
décadas.*

*Isso significa, em poucas palavras, que os criminosos com dinheiro
suficiente para pagar os famosos e caros criminalistas brasileiros podem
dormir sossegados, porque jamais irão para a cadeia.*

*Estivesse o Supremo julgando algo que interessasse a seu grupo ou a suas
inclinações ideológicas, certamente você teria se empenhado de corpo e alma.
*

*Aliás, Lula, você nunca teve ideais, apenas ambições.** *

*Você jamais foi inspirado por qualquer anseio de Justiça. *

*Todas as suas ações, ao longo da vida, foram motivadas por rancores,
invejas, sede pessoal de poder e irrefreável necessidade de ser adorado e
ter seu ego adulado. *

*Seu desprezo por aquilo que as pessoas honradas consideram Justiça
manifesta-se o tempo todo: quando você celeremente despachou para Cuba
alguns pobres desertores que aqui buscavam a liberdade; quando você deu
asilo a assassinos terroristas da esquerda radical; quando você se aliou à
escória do Congresso, aquela mesma contra quem você vociferava no passado;
quando concedeu aumentos nababescos a categorias de funcionários públicos já
regiamente pagos, às custas dos impostos arrancados do couro de quem
trabalha arduamente e ganha pouco; quando você aumentou abusivamente as
despesas de custeio, sabendo que pouquíssimo da arrecadação sobraria para os
investimentos de que tanto carece a população; quando você despreza o mérito
e privilegia o compadrio e o populismo; e vai por aí.... Justiça, ora a
Justiça, é o que você pensa... **
**
Você tem dividido a nação, jogando regiões contra regiões, classes contra
classes e raças contra raças, para tirar proveito das desavenças que
fomenta. *

*Aliás, se você estivesse realmente interessado, como deveria, em dar aos
pobres, negros e outros excluídos as mesmas oportunidades que têm os filhos
dos ricos, teria se empenhado a fundo na melhoria da saúde e do ensino
públicos. *

*Mas você, no íntimo, despreza o ensino, a educação e a cultura, porque
conseguiu tudo o que queria, mesmo sendo inculto e vulgar. Além disso,
melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo? *

*E se há coisa que você e o Partido dos Trabalhadores definitivamente
detestam é o trabalho: então, muito mais fácil é o atalho das cotas, mesmo
que elas criem hostilidades entres as cores, que seus critérios sejam
burlados o tempo todo e que filhos de negros milionários possam valer-se
delas. **
**A Imprensa faz-lhe pouca oposição porque você a calou, manipulando as
verbas publicitárias, pressionando-a economicamente e perseguindo
jornalistas. *

*O que houve entre o BNDES e as redes de televisão? *

*O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, a Boris Casoy, a Salete Lemos? *

*Essa técnica de comprar ou perseguir é muito eficaz. *

*Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando dava a seus
eventuais opositores as opções: O plata, o plomo. Peça ao Marco Aurélio para
traduzir. Ele fala bem o Espanhol. *

*Você pode desdenhar tudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos
que não o bajulem. *
*Afinal, se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não é
maravilhoso, como explicar tamanha popularidade? *

*É fácil: políticos, sindicatos, imprensa, ONGs, movimentos sociais,
funcionários públicos, miseráveis, você comprou com dinheiro, bolsas, cotas,
cargos e medidas demagógicas. *

*Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas de
seu governo, **satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar,
em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantado
anteriormente, mas que caiu em seu colo**. *

*Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro e grande parte da população parece
estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a
relevar as mentiras, a corrupção, os desperdícios, os abusos e as injustiças
que marcam seu governo em troca do prato de lentilhas da melhoria econômica.
**
**É esse, em síntese, o triste retrato do Brasil de hoje. E, como se diz na
França, l´argent n´est tout que dans les siècles où les hommes ne sont rien.
*


*Você não entendeu, não é mesmo? Então pergunte à Marta. Ela adora Paris, e
há um bom tempo estamos sustentando seu gigolô franco-argentino... **
**
Gilberto Geraldo Garbi


29 dezembro 2009

Venha participar de Não quero fingir que não vi!

comunidade,social,crítica,protesto
DeSoRDeM
Olá meus queridos. Conto com a colaboração de vocês. Na verdade é uma tentativa. Vamos ver se funciona.
E que em 2010 deixemos de fingir que não vemos.

Abraços.

Nilo dos Anjos
Sobre Não quero fingir que não vi
Unidos, podemos quebrar modelos fracassados, mudar, criar! Chega de aceitar esse modelo de sociedade que valoriza o ter e não o ser.
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Avatar (Crítica) : Breno Ribeiro

Depois de não uma, mas duas impressões do filme, Avatar, de James Cameron, dispensa qualquer parágrafo introdutório.

Avatar
Por Breno Ribeiro

Há 12 anos atrás, era lançado o longa Titanic, dirigido e escrito pelo diretor James Cameron. Assim como seus filmes anteriores, Exterminador do Futuro original e a sequência, True Lies e a continuação de Alien, o romance a bordo do transatlântico foi um grande avanço no que diz respeito à tecnologia de efeitos visuais da sétima arte. Uma réplica em menor escala foi criada, por exemplo, para cenas que filmavam o navio por inteiro ou que se passavam em algumas partes específicas no exterior do mesmo. Outras réplicas foram feitas para as cenas do naufrágio onde, ao fim, foram adicionadas digitalmente água, fumaça e as pessoas que morriam durante a tragédia. Entretanto, mesmo diante da magnitude de seu último filme, Cameron conseguiu, em termos de efeitos visuais, superar a si mesmo na megaprodução Avatar.

Seguindo a linha sci-fi que marcou os primeiros trabalhos do diretor, o longa acompanha a história de Jake Sully (Sam Worthington), ex-fuzileiro naval que se tornou paraplégico durante uma guerra na Terra. Porém, depois da morte do irmão gêmeo, Jake é o único que tem um DNA compatível para controlar a réplica artificial – conhecida como Avatar – da raça extraterrestre Na’vi e, assim, se infiltrar no pitoresco planeta Pandora a fim de coletar as informações necessárias para os humanos. Entretanto, diante do novo mundo a sua frente e da cultura e costumes dos Na’vi, Jake se vê entre ajudar os humanos ou lutar ao lado dos extraterrestres para proteger Pandora.

Foram construídas para o filme réplicas quase perfeitas dos bustos dos atores principais com características Na’vi (como orelhas pontudas e crânios maiores). Além disso, uma nova tecnologia foi utilizada para capturar as expressões de face e dos olhos dos atores: uma versão melhorada do efeito que criou, por exemplo, a criatura Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis, o qual consistia em vários pontos ligados ao corpo do ator que seriam usados para criar o movimento da criatura. Com a técnica aprimorada de Cameron, que envolve ainda uma espécie de capacete com uma microcâmera na frente focando o rosto de quem o utiliza, os movimentos e expressões do elenco são capturados quase 100% e transportados para os personagens azuis. Desta forma, diferentemente do que acontecia com a criatura da Terra Média, em Pandora, os atores que ‘encenam’ os Na’vi podem ser prontamente reconhecidos, o que ajuda na identificação com os mesmos.

Para encarnar a raça azul de Pandora, cada personagem precisa se deitar em uma espécie de câmara e fechar os olhos, como se fosse dormir. É, portanto, interessante notar que ao fecharem os olhos, tais personagens são transportados para um mundo completamente novo que só poderia existir em sonhos. Pandora é talvez o melhor universo já criado para o cinema. Com uma fauna hostil – e de uma complexidade física que deve ter tirado noites de sono da equipe de efeitos – e uma flora de encher os olhos – das mais simples sementes flutuantes às duas árvores principais de Pandora, o planeta possui os mais belos tons já postos junto, como o roxo vibrante dos céus e o azul quase fluorescente de algumas plantas. O ambiente é tão encantador e belo que nem ao menos chegamos a questionar o personagem de Sam Worthington quando o mesmo pára durante uma expedição para brincar com flores que murcham em espiral quando tocadas ou quando ele se distrai em uma conversa com plantas cujas folhas ficam fluorescentes quando apertadas.

Não só a equipe de efeitos visuais está de parabéns, mas também aquela responsável pela criação da cultura Na’vi. Embora muito tenha sido mostrado ao longo do filme sobre a raça de três metros, ao final dos rápidos 161 minutos de projeção ainda há uma sensação de que poderíamos aprender muito mais com aquela maravilhosa espécie se tivéssemos tempo. Além disso, a língua Na’vi, embora soe estranhíssima, é usada ao longo da trilha sonora de James Horner (que também compôs Titanic e Aliens) em curtos corais. As composições de Horner são, ainda, perfeitas para cada momento do longa, dos afetos e amor entre Jake e Neytiri (Zoe Saldana) às cenas da épica guerra final. Por outro lado, a música-tema do projeto, “I See you”, distoa do filme em sua totalidade por focar em um dos aspectos secundários da trama.

Mesmo com as limitações que o uso da tecnologia de Cameron traz, Sam Worthington, Zoe Saldana e Sigourney Weaver conseguem dar a seus personagens a profundidade e emoção desejada em cada cena, tendo Zoe Saldana conseguido emocionar mesmo como Na’vi nativa. Contudo, o destaque fica por conta de Stephen Lang e seu raso vilão, Quaritch, que possui as falas mais divertidas do longa (“Não está acabado enquanto eu estiver respirando.”)

Diferente do trabalho anterior de Cameron como roteirista, o atual projeto do diretor não se baseia exclusivamente em um romance sem sal. Há romance, sim; porém ele é agora natural e apenas um dos fios condutores da trama. O que move a trama é a ambição dos humanos em relação às riquezas de Pandora, o que de certa forma remete a prática colonialista comum de séculos/anos atrás. Ainda, embora não comentado expositivamente ao longa da história, há referências claras à destruição natural causada pela chegada do homem (algo emblematizado pela cena da Árvore-casa, “Hometree” no original) que podem ser inferidas a partir de certas falas, como “Eles mataram a Mãe deles. Agora vão matar a de vocês.” Todavia, o roteiro e o desenvolvimento do mesmo contém falhas difíceis de ignorar e que soam, de certa forma, maniqueístas – sendo um bom exemplo o fato de uma certa arma ser usada contra um certo helicóptero (se é que se pode chamar assim) e não surtir efeito e, cenas depois, em uma situação contrária, a mesma arma funcionar contra um veículo voador do mesmo tipo do outro.

É, porém, altamente aconselhável que o filme seja assistido, se possível, em algum cinema em 3D. A tecnologia, que vem sendo altamente utilizada atualmente, atinge com o diretor James Cameron um novo significado. Nada de objetos sendo lançados em direção à câmera para lembrar o espectador de que ele está assistindo a um filme 3D. O que se vê aqui são efeitos em terceira dimensão singelos e que surgem naturalmente – o 3D é criado em função da narrativa e não o contrário. De pequenos mosquitos voando, sementes flutuantes e cinzas a curtas cenas de perseguição na floresta, o 3D é tudo menos evasivo.

Inovação é a palavra de ordem em Avatar. Inovando desde os efeitos especiais até a nova tecnologia 3D, o longa prossegue lançando o espectador cada vez mais para dentro do universo particular concebido na mente do diretor, sem com isso perder o fio da meada da trama. Diz-se que talvez haverá sequências para o filme. Depois de ver a pequena porção de Pandora que vi, não posso negar o gostinho de querer conhecer mais daquele maravilhoso planeta. Em todo caso, eu Vejo vocês lá.

28 dezembro 2009

Venha participar de Não quero fingir que não vi!

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DeSoRDeM
Olá meus amigos. É só uma tentativa. Quem quiser participar, seja bem vindo!

Que em 2010 deixemos de fingir que não vemos.
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Olá meus amigos. É só uma iniciativa mas pode render alguns frutos. Quem quiser participar por favor não se acanhe. Nilo.

Que em 2010 deixemos de fingir que não vemos!!!
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22 dezembro 2009

Tiê interpreta "Chá verde" no Estúdio Showlivre

Simples e lindo!! E linda!!!

Enc: O velho e o novo



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---
De: Paulo Roberto
Assunto: O velho e o novo

O velho e o novo


Miriam Leitão

A COP-15 não mudou o mundo, mas mudou o Brasil. A Conferência do Clima e a competição eleitoral fizeram a posição do Brasil se mover na direção certa. Há três meses, o Brasil tinha um discurso velho. Hoje, tem metas e um caminho. Um erro foi nomear a ministra Dilma como chefe da delegação. Sem ter nada a ver com coisa alguma, ela se apagou na negociação.

COP não é palanque. Aqui, em Copenhague, travou-se uma batalha de sutilezas escorregadias, de detalhes técnicos complexos, de linguagem cifrada. Numa situação assim, é fundamental conhecer o terreno, a técnica e o tema. Dilma Rousseff é recém- chegada à questão climática. Na verdade, seu histórico é hostil à causa que motiva todo esse esforço. Ao ser escolhida, ela imprimiu à atuação brasileira um amadorismo insensato. Além disso, neutralizou alguns dos nossos mais bem treinados negociadores.

O patético final da Conferência deixou a confusão brasileira mais aparente. Todo mundo foi saindo, e o ministro Carlos Minc assumiu a negociação, apesar de ter sido expressamente afastado de outras etapas das conversas e destratado pela ministra Dilma na primeira entrevista em Copenhague. Foi Carlos Minc que tirou o Brasil da envelhecida posição de se negar a assumir compromissos de redução da emissão. E foi apenas por ter mudado sua posição que o Brasil não chegou a Copenhague em situação constrangedora.

Na noite da última sexta, no fim da Conferência, um dos remanescentes da equipe brasileira era o embaixador especial do Clima Sérgio Serra. Apesar do título do seu cargo, Serra para entrar na salas das conversas precisava do crachá deixado por Marco Aurélio Garcia, outro que não se sabe o que fazia em Copenhague.

Na noite da negociação entre os 25 chefes de Estado, de quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, veterano de COPs, subiu o elevador do hotel onde estava hospedado com rosto de desconsolo, depois de admitir a jornalistas que não sabia o que estava acontecendo. Celso Amorim foi, entre outras reuniões, o grande negociador de Bali, onde, junto com a então ministra Marina Silva, trabalhou na negociação do Mapa do Caminho.

Na noite do Bella Center, o presidente Lula foi para uma reunião dos chefes de Estado sem Amorim e sem o embaixador Luiz Alberto Figueiredo. Os dois têm experiência, são profissionais treinados.

Quando Dilma Rousseff chegou a Copenhague, Figueiredo teve que acompanhar a ministra em reuniões que não tinham nada a ver com o andamento da negociação. Visivelmente constrangido.

Dilma, nos primeiros dias, se dedicou a atividades políticas para a delegação brasileira, que tinha o extravagante número de 700 pessoas. Fez discursos políticos para os aplausos dos áulicos em que confundia conceitos elementares do mundo climático, ou tropeçava nos atos falhos. A atividade formal à qual tinha que ter ido era a abertura oficial do segmento ministerial. Ela era a $brasileira nesse segmento. Na hora da reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, o príncipe Charles e a Nobel Wangari Maathai, Dilma convocou uma coletiva, na qual se dedicou a criticar a proposta feita pela senadora Marina Silva e pelo governador José Serra, seus prováveis competidores nas eleições de 2010. Aliás, a proposta de doação brasileira para um fundo foi defendida depois pelo próprio presidente da República.

Houve momentos constrangedores. Quando chegou à primeira reunião, para ser informada do que estava acontecendo na negociação cuja chefia ela iria assumir, a pergunta feita por Dilma Rousseff foi:

— Qual é a agenda da Marina e do Serra?

De Copenhague, também ela se mobilizou para adiar a votação de um projeto que poderia desafinar com o discurso feito pelo Brasil aqui. Era o projeto chamado "Floresta Zero". Outro foi aprovado com o apoio e mobilização da base parlamentar, o que reduziu os poderes do Ibama e deixou aos estados o poder de decisão sobre a reserva legal.

O governo brasileiro começou a mudar tão recentemente que os sinais da velha forma de pensar estão em todos os lugares. Por isso, a lei de mudança climática aprovada no Congresso tem escrita a seguinte sandice: diz que as metas são voluntárias. Alguém já viu uma lei que estabelece que aquilo que legislou é voluntário? Se está na lei, é lei.

A participação brasileira ganhou musculatura quando o presidente Lula chegou e estabeleceu seu contato direto com os outros chefes de Estado, mas ter ido embora, antes do fim, levando a chefe da delegação, já mostrava como foi sem sentido sua decisão de nomeá-la.

A estratégia político-eleitoral do Planalto era aproveitar a COP e pôr a ministra-candidata em contato com grandes líderes, produzir declarações e imagens para ser usadas na campanha. Em outros eventos está sendo feito isso. Mas numa negociação como essa a decisão foi a mais sem sentido que poderia ter sido tomada. Com o aumento da tensão negociadora, o Brasil foi se apagando na mesa de negociação, em parte porque os especialistas foram afastados e em parte porque ela não tinha condições de chefiar o grupo.

A reunião de Copenhague ficará na História como um momento de insensatez das lideranças do mundo. Em que se desperdiçou uma oportunidade de ousar e construir o futuro. Em que se escolheu uma resposta medíocre diante de um vasto desafio. Para o Brasil, ficou este outro sinal assustador: de que o governo quer usar qualquer momento, mesmo o mais inadequado, para montar palanques para a sua candidata.



15 dezembro 2009

RACISMO E PSICANÁLISE

O « BANZO » DO CONDE DE GOBINEAU
NO BRASIL



Paulo de QUEIRÓS SIQUEIRA (psiquiatra, psicanalista)
Tradução:Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO


Poucos escritores franceses do Século XIX contribuiram
tanto para as teorias do racismo como o Conde Joseph Arthur
de Gobineau (1816 - 1882).A obra que tornou-o lastimosamente
célebre teve como titulo : « Ensaio sobre a desigualdade
das raças humanas » (1). Este livro teve um grande sucesso
junto aos adeptos do nazismo que fizeram do mesmo uma de
suas referências fundamentais. Quais foram as teorias do
conde de Gobineau ? Leiamos para resumir as notas sobre o
ele contidas na edição do Larousse Universel de 1922, eù
seguida Nouveau Larousse Universel de 1948, o pequeno
Larousse de 1980 e enfim Le Petit Larousse Compact de 1999.A
evolução dos termos com os quais o célebre dicionário
resumiu as teorias de Gobineau conheceu ao longo do Século
XX uma evolução subtil. Não pdemos negligenciar tais
variações porque elas são sugnificativas das mudanças
das mentalidades no que diz respeito às complacências mais
ou menos evidentes para com as
teses racistas na França.

Vejamos o que escreveu o Larousse em 1922 a propósito do
Ensaio sobre as desigualdades das raças humanas. « Fundado
na idéia da raça como fator fundamental da história, ele
apresenta o ariano dolicocéfalo louro como o tipo da
humanidade superior. Com esta maneira de ver, Gobineau
favoreceu o orgulho pangermânico, seu sistema sendo,
especialmente, muito apreciado na Alemanha. Ele exerceu uma
grande influência sobre as idéias de Wagner ». A edição
do Nouveau Larousse Universel de 1948 salienta ainda a
grande influência de Gobineau sobre Wagner, concluindo : «
Os alemães interpretaram o sistema dele para tirarem
benefício».

Quase 40 ans depois, o pequeno Larousse passou em silêncio
as influências que recebeu Wagner e concluiu no final que o
Conde de Gobineau «influenciou os teóricos do racismo
germânico ».

Em 1999, contudo, o mesmo Petit Larousse mostrou-se desta
vez mais sutil a propósito do autor e de suas teorias,
escrevendo que o Ensaio sobre as desigualdades das raças
humanas « pretendia retraçar e explicar pelo processo
histórico da miscigenação, a marcha da humanidade para um
declínio inelutável ».Assim, a questão das teorias de
Gobineau sobre as « raças superiores »deixou de ser
mencionada. Outra nuança introduzida pelo Petit Larousse de
1999 em sua conclusão concernando o referido autor
consistiu em dizer que os « teóricos do racismo germânico
reivindicam as teorias do Conde mas « disfarçam as suas
teses ».

Dir-se-ia que o Petit Larousse procurasse atenuar o racismo
inerente às teorias de Gobineau, deixando supor que os
nazistas só utilizaram-nas de maneira disfarçada. Para o o
leitor que tivesse ainda necessidade de se convencer de que
as idéias de Gobineau fossem tão racistas, suas Cartas
brasileiras (2) constituem uma amostra mais do que
convincente.

Joseph Arthur de Gobineau, que era não somente escritor
mas também diplomata, ocupou o cargo de chefe de gabinete
de Alexis de Tocqueville, então Ministro das relações
exteriores da França de Napoleão III (3).Após haver
deixado este cargo afim de ocupar a função de primeiro
secretário de embaixadas em Berna, Hanovre e no Irão,
Gobineau foi enviado para o Brasil em 1869, por uma dessas
astúcias muito frequentes na história. Ele partiu a
contragosto, afim de representar a França perante um dos
povos mais mestiços do planeta.Conhecendo-se o papel
desempenhado pela mestiçagem em suas teorias, consideradas
como fator histórico tendo precipitado a humanidade num
declínio inelutável, este encontro do teórico racista com
o povo de mestiços é muito engraçado. A estadia no Brasil
foi para Gobineau uma grande provação, se considerarmos
seu estado de saúde do início até o fim de sua missão no
Rio. Esta, que durou pouco mais de um ano,
permitiu-lhe escrever numerosas cartas a sua esposa que
ficara na França. Nelas o Conde verteu sem nenhuma censura,
tudo de ruim que ele pensava da «ignominiosa canalha
brasileira. Todos mulatos, todos, todos, menos a família
imperial ! » exclamou numa de suas cartas (4).

Tendo chegado ao Brasil no fin de março de 1869, três
meses depois Gobineau já tinha um julgamento definitivo
sobre o seu povo: «O Brasil só pode tornar-se alguma coisa
se os brasileiros desaparecerem ; trata-se de uma
população inepta, viciada até a moela, pela qual não se
pode fazer nada, que se utilize a força física ou moral »
(5).

Gobineau, por que o povo brasileiro não era conforme à
idéia que ele tinha das raças superiores, procurou
refúgio ao lado do Imperador do Brasil, sua Majestade Dom
Pedro II e de sua Alteza a Imperatriz. E o escritor francês
teve muita sorte porque o Imperador era um homem realmente
excepcional! Ávido de tudo, espírito muito culto e
científico, homem de laboratório, admirador de Linné, Dom
Pedro manteve uma correspondência com Quatrefages durante
vinte anos. O Imperador brasileiro fez parte até dos
benfeitores do Instituto Pasteur de Paris.Ele era também um
grande poliglota, conhecia quatorze línguas e falava oito
ou nove de maneira fluente. Em suma, era um Monarca
esclarecido, o que deveria agradar o Conde, era um branco de
sangue azul, descendente das linhagens mais altas da
aristocracia européia. Porém muito cedo e apesar da
benevolente amizade do imperador por Gobineau (ele o recebia
duas, três vezes por semana no palácio) a saúde
do conde declinou muito depressa : « Você sabia que,
desde minha chegada, tenho sofrido, de maneira contínua, de
febre e de um abatimento insuportável ? Não se passa uma
semana sem que eu me sinta obrigado a deitar-me duas ou tres
vezes durante o dia, »escreveu a um amigo na Europa.Sua
degradação física e moral atingiu um tal ponto que o
próprio Imperador inquietou-se e aconselhou-o a voltar para
a França o mais cedo possivel. E Gobineau findou sendo
repatriado quase em situação de urgência.

Como pudeste imaginar que eu sofresse de nostalgia ou de
algo semelhante ?» perguntou o Conde a sua esposa. « Estou
realmente doente e o Rio vai me matar. Tenho outro coisa a
fazer do que deixar-me assim morrer » (6).

Devemos reconhecer que Gobineau sofreu no Rio de uma
doença semelhante, e muito frequente, que atingia os negros
brasileiros vindos da Africa para trabalhar como escravos.
Ao chegarem ao Brasil, numerosos negros reagiram às
condições desumanas da escravidão com uma melancolia
mortal denominada « banzo ».Este fenômeno alcançou
proporções epidêmicas tais e marcou tanto o espírito dos
brasileiros que a palavra « banzo », de origem africana
,faz parte doravante da língua comum para designar a
melancolia.

Naturalmente, poderiamos dizer que, por razões muito
diferentes, tanto o Conde como os negros africanos padeceram
de melancolia no Brasil, não pelas mesmas razões mas pela
mesma relação com a verdade do sujeito.

O próprio Freud colocou em « Luto e Melancolia » (7) a
questão : porque adoecer para alcançar uma… verdade ?
Que verdade teriam eles alcançado, o Conde e os escravos
africanos, para mergulharem numa melancolia, apenas chegados
ao Brasil ? Sem dúvida as causas não foram as mesmas, mas,
não poderíamos dizer que eles encontraram no Brasil a
verdade do ser-para-a- morte ? Os escravos, assim reduzidos
ao estatuto de simples objets do gozo do Outro, tornaram-se
mortos como sujeitos. Para o Conde, uma revelação poderia
ter-lhe ocorrido: O Brasil prefigurava o mundo futuro onde
não mais existiria um lugar para o Outro da raça pura, a
raça dos Mestres « arianos dolicocéfalos louros».Este
ideal do ego era feroz para os outros mas também para o
próprio Conde. A prova, a mestiçagem brasileira,
verdadeiro exemplo contrário ao sistema social que Gobineau
queria, agia já de maneira sorrateira ao desaparecimento da
ordem injusta de base racial
com a qual ele sonhava.

Gobineau deve ter percebido isto, a sua melancolia tendo
sido o resultado.Aqueles que acreditaram nesse delírio e
quiseram aplicá-lo mais tarde na Europa do Século XX, não
somente se enganaram mas arruinaram os seus países, seus
povos e semearam en toda parte onde passaram o genocídio, a
destruição e a miséria. A miscigenação universal- toda
a evolução do Século XX nos prova- conduz para um mundo
onde o Outro não existe, salvo sob as aparências do único
Mestre Absoluto, a Morte.

1) J. A. de Gobineau, Ensaio sobre as desigualdades das
raças humanas, 1853 - 1855, re-edição, Paris 1967.
2) J. A. de Gobineau,Cartas brasileiras, Éditions du
Delta, Paris, 1969.
3) Ver a propósito das relações de Gobineau com
Tocqueville, os comentários feitos por Jacques-Alain
Miller. Este salienta a ambiguidade de Alexis de Tocqueville
com relação a Arthur de Gobineau : ao mesmo tempo em que o
primeiro considerava o sistema da Desigualdade das raças
como «a tese mais injusta que se pudesse conceber nos dias
atuais » … um « sistema de manobras fraudulosas, uma
filosofia de diretor de haras », Alexis mostrava-se além
de complacente com o Conde Joseph Artur, correndo servir às
ambições de Gobineau no Ministério e na Academia.
Conforme : « Astros obscuros, hidras estreladas »

Enc: Confrontos em Copenhague





Confrontos em Copenhague

Leonardo Boff

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados.

Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais.

Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes.

Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas.

Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza.

Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão.

Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência.

Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões.

Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes.

Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano.

Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos.

Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos.

*Leonardo Boff é teólogo



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30 novembro 2009

Folha de S.Paulo - Análise Os filhos do Brasil - 27-11-2009












Folha de S.Paulo - Análise: Os filhos do Brasil - 27/11/2009 Caros amigos: Acho que importa ler o depoimento abaixo. Além do que acrescenta à documentação relativa aos porões da ditadura, é muito revelador do caráter e da biografia não autorizada do presidente Luís Inácio da Silva.
[Photo][Photo]
São Paulo, sexta-feira, 27 de novembro de 2009 [Photo] [Photo]
ANÁLISE

Os filhos do Brasil Divulgação
[Photo] Cena do filme "Lula, o Filho do Brasil", do diretor Fábio Barreto, que narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -"sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora. [Photo][Photo]

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu. [Photo][Photo]

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

12 novembro 2009
















































CONTARDO CALLIGARIS

A turba da Uniban


As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio




NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.



25 setembro 2009

Guilherme Arantes









O Show de Guilherme Arantes ontem no Teatro do Parque em Recife foi carregado de emoção e de algumas críticas feitas pelo músico. O show foi dividido em 2 apresentações, e aqui vale uma dica: se tiver de ir a alguma apresentação em que o artista tenha que fazer duas, uma seguida da outra, deixe para ir na última. Por vários motivos: 1º o som já vai estar melhor testado e qualquer eventual problema que ocorra, como retorno, equalização, entre outras coisas, serão sanados ou na hora ou para a próxima apresentação; 2º o artista vai estar mais a vontade, mais relaxado, e isso pode fazer com que melhore a sua performance; 3º o show seguinte tem hora pra começar, então o artista tem hora pra acabar, logo, o tradicional bis e a interação com o público ficam prejudicados. Foi o que aconteceu ontem, quem deixou pra ir na segunda apresentação viu um show completamente diferente. Guilherme estava mais a vontade, os problemas técnicos que o tirou do sério na primeira apresentação, deixaram de existir e com isso pode desfilar seus hits com toda desenvoltura e segurança, deixando algumas pausas para um bate-papo com o público. Aproveitou para fazer uma crítica ao cenário atual da música brasileira, em especial a bahiana.
Atualmente o músico reside na Bahia, montou uma gravadora e pretende lançar nomes no mercado na intenção promover pessoas que possam elevar a qualidade musical de nosso país como fez no passado Aloysio de Oliveira com a gravadora Elenco, nos áureos tempos da bossa-nova.
Confira abaixo uma de suas péloras.
Nilo dos Anjos











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