12 julho 2006

Teoria explica como humanos reconhecem rostos



LONDRES (Reuters) - Os macacos se reconhecem comparando rostos com uma imagem média armazenada em seus cérebros, e não memorizando a aparência individual de cada face, informaram cientistas na quarta-feira.

A mesma teoria provavelmente se aplica aos seres humanos, o que explica como é possível reconhecer rostos em uma fração de segundo, acrescentaram.

No estudo, os cientistas descobriram que o cérebro de um macaco não mantém registro das diferentes partes de um rosto, para armazená-las e depois obter acesso à informação com fins comparativos.

Em lugar disso, o cérebro símio mantém um registro da média estatística de todos os rostos que já viu, e o emprega como base de comparação.

"Quando o macaco vê um novo rosto, o cérebro o compara a essa média e depois registra as diferenças... e é dessa forma que o rosto é visto", disse David Leopold, do National Institute of Mental Health, em Bethesda, Maryland.

"A constatação elucida de que maneira é possível que alguém reconheça rostos com tanta rapidez e facilidade, em apenas alguns milésimos de segundo", afirmou.

Leopold e seus colegas identificaram o sistema de reconhecimento enquanto estudavam neurônios, em uma área do cérebro conhecida como córtex inferotemporal, em dois macacos que haviam sido treinados para reconhecer rostos humanos em imagens geradas por computador.

Eles monitoraram neurônios isolados de maneira a compreender como os grupos de células cerebrais trabalham em cooperação para reconhecer rostos.

"O que descobrimos é que os neurônios nessa área do cérebro do macaco respondem de forma extremamente sensível a pequenas diferenças de informação entre rostos de identidades diferentes", disse Leopold, que relatou a pesquisa em um artigo para a revista científica Nature.

A atividade dos neurônios foi monitorada enquanto era exibida aos macacos a imagem de um rosto humano médio, que a seguir passava por alterações até que atingisse a identidade plena.

"A principal constatação foi uma notável tendência dos neurônios a demonstrar uma sintonia que parecia centrada no rosto médio", afirmou Leopold em seu artigo.

Em testes psicológicos, os seres humanos identificam rostos de maneira bastante semelhante à dos macacos, de modo que os pesquisadores acreditam que esse aspecto do sistema de reconhecimento visual seja semelhante em ambas as espécies.

Quarta-feira, 05 de julho de 2006 - 17h19

10 julho 2006

Não tenha pressa!

>"A vida é aquilo que acontece enquanto
> fazemos planos para o futuro"
>
>Texto escrito por um brasileiro que vive na
>Europa.
>"Já vai para 18 anos que estou aqui na Volvo, uma
>empresa sueca.
>Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo,
>interessante.Qualquer projeto aqui demora 2 anos
>para se concretizar, mesmo que a idéia
>seja brilhante e simples. É regra.
>Então, nos processos globais, nós (brasileiros,
>americanos,australianos,asiáticos) ficamos
>aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade
>generalizada. Porém, nosso senso de urgência não
>surte qualquer efeito neste prazo.
>Os suecos discutem, discutem, fazem "n"
>reuniões, ponderações. E trabalham num esquema
>bem mais "slow down". O pior é constatar que, no
>final,acaba sempre dando certo no tempo deles com
>a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem
>pouco se perde aqui.
>E vejo assim:
>1. O país é do tamanho de São Paulo;
>2. O país tem 2 milhões de habitantes;
>3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000
>habitantes (compare com Curitiba, que tem 2
>milhões);
>4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania,
>Ericsson, Electrolux, ABB,Nokia, Nobel Biocare...
>Nada mal, não?
>5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores
>propulsores para os foguetes da NASA.
>Digo para os demais nestes nossos grupos globais:
>os suecos podem estar errados, mas são eles que
>pagam nossos salários.
>Entretanto, vale salientar que não conheço um
>povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura
>coletiva do que eles. Vou contar para vocês uma
>breve só para dar noção.
>A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos
>colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era
>setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na
>Volvo e ele estacionava o carro bem longe da
>porta de entrada (são 2.000 funcionários de
>carro). No primeiro dia não disse nada, no
>segundo,no terceiro... Depois, com um pouco mais
>de intimidade, numa manhã,perguntei:
>"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui?
>Notei que chegamos cedo,o estacionamento vazio e
>você deixa o carro lá no final." Ele me respondeu
>simples assim: "É que chegamos cedo,então temos
>tempo de caminhar -quem chegar mais tarde já vai
>estar atrasado, melhor que fique mais perto da
>porta. Você não acha?"
>Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na
>primeira. Deu pararever bastante os meus
>conceitos.
>Há um grande movimento na Europa hoje, chamado
>Slow Food. A Slow Food International Association
>- cujo símbolo é um caracol, tem sua base na
>Itália ( o site, é muito interessante.
> Veja-o! ). O que o movimento Slow Food prega é
>que as pessoas devem comer e beber
>devagar,saboreando os alimentos, "curtindo" seu
>preparo, no convívio com a família, com
>amigos,sem pressa e com qualidade.
>A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast
>Food e o que ele representa como estilo de vida
>em que o americano endeusificou.
>A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow
>Food está servindo de base para um movimento mais
>amplo chamado Slow Europe como salientou a
>revista Business Week numa edição européia.
>A base de tudo está no questionamento
> da "pressa" e da "loucura"
>gerada pela globalização, pelo apelo à
> "quantidade do ter" em contraposição à qualidade
>de vida ou à "qualidade do ser".
>Segundo a Business Week, os trabalhadores
>franceses, embora trabalhem menos horas( 35 horas
>por semana ) são mais produtivos que seus
>colegas americanos ou ingleses.
>E os alemães, que em muitas empresas instituíram
>uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua
>produtividade crescer nada menos que 20%.
>Essa chamada "slow atitude" está chamando a
>atenção até dos americanos, apologistas do "Fast"
>(rápido) e do "Do it now" (faça já).
>Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa
>fazer menos, nem ter menor produtividade.
>
>Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com
>mais "qualidade" e"produtividade" com maior
>perfeição,atenção aos detalhes e com menos
>"stress".
>Significa retomar os valores da família, dos
>amigos, do tempo livre, dolazer, das pequenas
>comunidades, do "local", presente e concreto em
>contraposição ao "global" - indefinido e anônimo.
>Significa a retomada
>dos valores essenciais do ser humano,
>dos pequenos prazeres do cotidiano,
>da simplicidade de viver e conviver e até da
>religião e da fé.
>Significa um ambiente de trabalho
> menos coercitivo, mais alegre,mais
>"leve" e, portanto, mais produtivo
>onde seres humanos, felizes, fazem com prazer, o
>que sabem fazer de melhor.
>Gostaria de que você pensasse um
>pouco sobre isso...
>Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao
>longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição"
>não merecem novamente nossa atenção nestes tempos
>de desenfreada loucura?
> Será que nossas empresas não deveriam
>também pensar em programas sérios de
>"qualidade sem-pressa" até para aumentar a
>produtividade e qualidade de nossos produtos e
>serviços sem a necessária perda da "qualidade do
>ser"?
>No filme "Perfume de Mulher", há uma
>cena inesquecível, em que um personagem cego,
>vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e
>ela responde:
>"Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos
>minutos." "Mas em um momento se vive uma vida" -
>responde ele, conduzindo-a num passo de
>tango.
>E esta pequena cena é o momento mais bonito do
>filme.
>Algumas pessoas vivem correndo atrás
>do tempo, mas parece que só alcançam
>quando morrem enfartados, ou algo assim. Para
>outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos
>com o futuro e se esquecem de viver o presente,
>que é o único tempo que existe.
>Tempo todo mundo tem, por igual!
>Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia.
>A diferença é o que cada um faz do seu tempo.
>Precisamos saber aproveitar cada momento,porque,
>como disse:John Lennon,
>"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos
>planos para o futuro"...
> Parabéns por ter lido até o final!
>Muitos não lerão esta mensagem até o final,
>porque não podem"perder" o seu
>tempo neste mundo globalizado.
>Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar
>de curtir sua família.De
>ficar com a pessoa amada, ir pescar no
> fim de semana ou outras coisas...
>Poderá ser tarde demais!
>
> Saber aprender para sobreviver...
>

Gene pode ajudar a criar célula-tronco sem embrião


Um gene batizado como Nanog, em homenagem à mítica terra celta da juventude eterna, pode ajudar a explicar como reprogramar células adultas para que elas se transformem em células-tronco embrionárias e tratem doenças, afirmaram pesquisadores na quarta-feira. Eles descobriram que o gene ajudou a transformar células adultas de camundongo em células-tronco embrionárias depois de uma fusão celular em que duas células são combinadas, formando um híbrido.

"O efeito do Nanog é extraordinário. Todas as células híbridas transformaram-se totalmente em células-tronco embrionárias", disse José Silva, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que relatou as conclusões do estudo na revista Nature. As células-tronco são as células mestras do corpo. Os cientistas acreditam que elas podem funcionar como uma espécie de sistema de recuperação do corpo, oferecendo novas terapias para doenças que vão desde a diabete até o mal de Parkinson.

As células-tronco embrionárias, presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento do embrião, têm o potencial de dar origem a qualquer tipo de célula ou tecido. As células-tronco adultas, que existem no corpo, têm um alcance bem mais limitado. A conversão das células-tronco adultas em células-tronco embrionárias eliminaria o uso dos embriões, que cria grandes empecilhos éticos para os pesquisadores.

O professor Austin Smith, que chefiou a pesquisa, disse que o Nanog não é o único gene envolvido na reprogramação. Pode haver vários deles implicados no processo. Ele acredita que a descoberta do Nanog, batizado em homenagem à terra de Tir nan Og, da mitologia celta, acelere a identificação dos outros genes.

"Prevemos que as pessoas vão encontrar os outros genes, talvez bem rápido", disse ele numa entrevista. Peter Mountford, da empresa de biotecnologia Stem Cell Science, dona da tecnologia utilizada na pesquisa, disse que o estudo mostra que o Nanog pode ter um papel determinante nas pesquisas com células-tronco.

"Ele representa um grande passo na direção da reprogramação de células-tronco adultas, sem a necessidade de criar embriões humanos", disse ele num comunicado. Os cientistas fundiram células-tronco embrionárias de camundongos com células cerebrais adultas. A adição do Nanog aumentou o número de células híbridas, e todas elas agiram como células-tronco embrionárias. As células híbridas também demonstraram a capacidade de formar vários tipos diferentes de células.

Smith espera que no futuro os cientistas consigam expor as células-tronco adultas ao Nanog e a outros genes, reprogramando-as para o estado embrionário sem precisar usar a fusão celular ou a transferência nuclear, a técnica usada para criar a ovelha Dolly. "O importante nesta pesquisa é que ela nos oferece o primeiro vislumbre de que isso possa ser possível, e que se trata de um fenômeno que teremos que compreender e explicar nas próximas tentativas", acrescentou ele.







Fonte: MDV - MOVIMENTO EM DEFESA DA VIDA - www.defesadavida.com.br

Extraído de: Terra Notícias / Reuters - 14/06/2006

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1042344-EI296,00.html

07 julho 2006

Dog em Santorini


, originally uploaded by duckgu.

Não se avexe

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar.

(Acioly Neto)

03 julho 2006

nonsense...


nonsense..., originally uploaded by MartiNe BarcelloS.

trash


trash, originally uploaded by DogFromSPACE.

02 julho 2006

mulher19


mulher19, originally uploaded by dnilin.

22mulher


22mulher, originally uploaded by dnilin.

mulher6


mulher6, originally uploaded by dnilin.

Mundo se decepciona: "Brasil, órfão de jogo bonito"

Decepcionados com a exibição do Brasil nesta Copa, os jornais pelo mundo não pouparam palavras para criticar a seleção verde e amarela. A maioria da imprensa aponta para a ausência da beleza do esporte do País na Alemanha e relembra que a França derrubou a Seleção Brasileira novamente.


Os jornais espanhóis não perdoaram a proposta burocrática da equipe de Parreira em buscar apenas o futebol de resultado. O diário Marca destaca que "a França elimina um Brasil órfão de jogo bonito".

O compatriota As se mostra mais ácido e diz que a "mentira brasileira foi desmascarada" e vai embora do Mundial sem mostrar o que a Argentina mostrou em qualidade, como a goleada frente a Sérvia e Montenegro por 6 a 0. Além disso, afirma que o "Rei" Zidane levou sua equipe à vitória, como em 98

Na última Copa do século XX, Zidane fez dois gols na final contra o Brasil, que era o grande favorito - como nesta Copa - e acabou derrotado por 3 a 0 pelos anfitriões.

No país vizinho, a derrota de seus maiores rivais serviu de banquete para que os argentinos pudessem aliviar a dor da desclassificação da seleção do país, um dia antes para a Alemanha, depois de empate por 1 a 1 no tempo regulamentar e de derrota nos pênaltis.

O Olé, conhecido por suas provocações aos brasileiros, escancarou neste domingo e escreve na capa do jornal: "Merdeamarela". Em seguida, ironiza e diz que os brasileiros se enganaram ao pensar que tinham apóio do jornal.

"Confiantes e ingênuos, os brasileiros pensavam que iriam levar o hexa, sem jogar e com apoio do Olé. Mas, por favor. França os tirou do Mundial com um baile. Vergonha, isso foi uma vergonha, um papelão histórico".

Não satisfeito, o diário afirma que os argentinos, com o coração partido, não precisaram de aspirinas, nem remédios. O vizinho foi farmacêutico e nos tinham um santo remédio chamado "Adeus Penta".

Agora, pela Copa, a França faz uma das semifinais contra outro brasileiro: o técnico de Portugal, Luis Felipe Scolari, no dia 05 de julho, às 16h, no Allianz Arena, em Munique.

E a imprensa lusitana se mostra preocupada com a adversária, a qual venceu seus últimos sete confrontos contra os portugueses, sendo a última ocorrida há 31 anos, segundo o jornal Record , que define a França como: "o lado negro da força".

Também na Europa, o jornal inglês Guardian diz que o Brasil permanece único na história das copas do mundo, por ser pentacampeão e único time sul-americano a vencer um Mundial na Europa, em 58 na Suécia. Apesar da lembrança, o diário diz que os brasileiros foram nocauteados por uma França que sempre se impôs na partida de igual para igual.

Com motivos de sobra para comemorar, os jornais franceses encharcaram suas páginas com a vitória do time do técnico Domenech. O L'Equipe diz que o time de seu país fez uma partida excepcional, com uma atuação de ouro do triângulo Zidane-Vieira-Makelele.

O L'equipe afirma que os campeões do mundo foram vencidos psicologicamente e tecnicamente pelos homens de azul.

Pelo lado da Itália, o La Gazzeta dello Sport diz que "a ressurreição de Thierry Henry dá à excelente França o adversário de Portugal" e que o resultado foi um "veredicto incontestável".

O compatriota La Repubblica destaca que o capitão do time da França se confirma como o melhor de seu time, seleção que desclassificou os nunca-perigosos brasileiros.

Já pelo lado do país anfitrião da Copa, o Bild comemorou o fato de o time de Viera ter avançado: "Vive la France!". O diário defende que Zidane foi muito forte para o Brasil, como em 98.

O também alemão Die Welt.de afirma que a França chutou para longe o detentor do título mundial, o Brasil, dizendo que o "Golden Gate" da vitória na Copa da França, Zidane, deu o passe para a conclusão perfeita de Henry.

01/07: Somos Dionísio




GUSTVO ALMEIDA (JB ONLINE)

A cidade ficou triste, é fato. Mas acredito que a pouca tristeza que há pelas ruas é mais pela festa que não aconteceu, pela cerveja não bebida, pelos beijos não dados, do que por esta seleção tão sem identificação com o povo brasileiro, tão pouco representativa em seu modo de ser, de agir, de ver a vida. A festa seria bonita - mas não foi porque a Justiça foi feita pelos pés de um gênio que não treme na hora de decidir, o tal Zidane. Que se dane a Pátria - é o que parece me dizer o Roberto Carlos, amarrando as chuteiras na hora do golaço de Thierry Henry, gol este que selou a partida de vez - era nítido que o Brasil não conseguiria o empate. Zidane mandou no jogo.
Por mais que as lágrimas existam, há coisas que foram derrotadas junto com esta seleção pelas quais a gente nunca torceu. Certas concepções e estereótipos são estranhos ao brasileiro, daí a total capacidade de a gente se adaptar à idéia de "ganhar jogando feio".
Uma idéia que era propagada pelo técnico Carlos Alberto Parreira o tempo todo, como se fosse a única alternativa, a de ganhar jogando mal. Ora, como assim? Por que vincular um conceito ao outro?
A briga destes modos de ver a vida tem a ver com as questões do Apolínio/Dionisíaco - e aqui não estamos dando uma de intelectual de botequim. O brasileiro tem sangue quente, o trópico nos alucina. Não queremos a vida certinha e regular. Amamos o mata-mata, o drama, a tragédia com apogeu e fim, a lágrima e a emoção da vitória ou da derrota - daí a nossa resistência aos pontos corridos, mesmo diante do argumento de que "premiam o time mais regular". Ora, de "regular" já basta a nossa rotina: acordar, pegar um ônibus, ir ao trabalho, levar bronca do patrão, almoçar no restaurante a quilo, tomar café, ir embora, pegar engarrafamento e de 12 em 12 meses pleitear férias que serão parecidas com as do ano passado.
Esta é a vida ordinária - na acepção pura da palavra, no sentido de ordem, de monotonia. Quando buscamos o esporte, o futebol, a paixão, é só para satisfazer nosso desejo do imponderável, do imprevisível. Somos Dionísio, Baco, fervemos no vinho e no sangue. Não queremos levar para um campo de futebol ou a tabela do campeonato a monotonia do ônibus no engarrafamento ou do salário no dia 5. Como me disse certa vez o Marcelo Yuka, ex- Rappa: "O drible às vezes vale mais que um gol", referindo-se a Júlio César, ponta-esquerda do Flamengo nos anos 80.
Parreira disseminava a repulsa ao risco de jogar bonito, de jogar dionísio. E representava esta maneira de ver a vida. Tanto é que jogamos feio e agora não temos nada - ora, foram cinco jogos péssimos. Tirando, claro, parte do jogo contra o Japão, não houve mais nada que valesse a pena. Valeu a pena ouvir tantas vezes o discurso de que jogar bonito não basta para entrar para a história, é preciso ser campeão? Pois bem, jogamos feio e fizemos história. Mas com h minúsculo.
E se Ronaldinho Gaúcho tivesse feito firulas, Ronaldo Fenômeno marcasse diversos gols, Robinho pedalasse mas MESMO ASSIM o Brasil ficasse fora?
A diferença é esta: as lágrimas seriam, sem dúvida, muito maiores. Porque amamos o risco, tudo aquilo que nos faz esquecer da vida normal, sem cheiro nem sabor. Apolo é para os bretões, alemães, talvez suecos - opa, italianos, franceses e portugueses estão fora disso. Estas semifinais serão sintomáticas quanto a isso: se verá grande sofrimento nos respectivos países que forem eliminados - já se a empolgadíssima Alemanha perder, o máximo que se ouvirá serão alguns PQPs em germânico e olhe lá. Nenhum deles se comparando às nossas tragédias, ao nosso 1982, ao nosso 1986 - ao nosso 1950. Sempre que perdemos, desviamos um pouco o curso de nossa história - e é isto o que talvez mais nos faça brasileiros. E também o que mais faz desta seleção estrangeira - sua derrota não alterará nem a macarronada de domingo do brasileiro.
Acabou a Copa do oba-oba, do cantar vitória, da "geração que superaria a de Pelé" e de tantas outras firulas que inventaram. Acabou a Copa em que, de 10 comerciais na TV, 7 tinham jogadores da Seleção Brasileira. Acabou a Copa em que se tentou proibir a crítica (algo quase tão secular quanto a prostituição) de dizer que quem estava mal estava mal. Não havia ninguém mal, havia apenas "recordistas". Acabou a Copa da Legião Estrangeira, da Seleção dos tempos modernos - a seleção que não tem o Júnior do Flamengo, o Roberto Dinamite do Vasco, o Rivellino do Fluminense, o Sócrates do Corinthians, o Careca do São Paulo. Aquela seleção com a qual esbarrávamos na esquina da Domingos Ferreira com a Siqueira Campos. Hoje, pessoal, a vida é outra - somos torcedores-visitantes, não estamos mais tão em casa. Dizer que "a Seleção Brasileira vai voltar para casa" pode apenas significar que os caras vão pegar um trem. Não é patrulhamento "financeiro", já que houve seleções de jogadores ricos e que nem por isso deixavam de ter raça. Mas apenas uma constatação: nossas lágrimas precisam ser mais caras, pelo menos a metade do preço dos nossos jogadores. Somos Dionísio, bebemos vinho, queremos dar nosso sangue, mas estamos longe demais de Frankfurt. É pena.