30 março 2009

Watchman - O filme

Watchmen - O Filme
Watchmen - O Filme
Angélica Bito




Quando Watchmen foi publicado nos EUA, entre 1986 e 1987, a tiragem era limitada. Nem a DC Comics apostou que esta história em quadrinhos de adultos que se fantasiam para combater o crime poderia conquistar os leitores. O fato é que a complexidade da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, vista claramente na trama e nos personagens que conduzem os 12 capítulos da série, conquistou os leitores. Novas tiragens foram lançadas e elas seguem conquistando novos admiradores ao longo dos anos.

Um deles é Zack Snyder, que, depois de dar vida a outra graphic novel (300, seu longa anterior, é baseado em Os 300 de Esparta, de Frank Miller), encara novamente o desafio de dar movimento a uma HQ. Em Watchmen – O Filme - projeto que Hollywood ronda desde os anos 90 -, o diretor abraça a possibilidade de tornar cinematograficamente possível toda a complexidade da graphic novel, apresentando um filme de super-heróis para adultos.

A ação se passa em outubro de 1985, nos EUA, numa época marcada pela Guerra Fria e o iminente conflito nuclear entre o país e a União Soviética. O violento assassinato de Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) faz com que histórias esquecidas no passado venham à tona. Conhecido como Comediante, Blake fez parte de dois grupos de combatentes do crime que atuavam fantasiados pelas ruas dos EUA. Os Minutemen foram formados em 1940; a segunda geração, os Watchmen, atuaram até 1977, quando foi criada a lei Keene, que tornava ilegal a atividade de justiceiros mascarados. O assassinato do Comediante faz com que os personagens voltem a se reunir a fim de descobrir que tipo de conspiração é essa que levou ao crime.

Os grupos não são formados por super-heróis, mas sim pessoas que, talvez com desvios de personalidade, resolvem vestir fantasias para combater o crime; o único possuidor de poderes é o dr. Manhattan (Billy Crudup), um sujeito azul, luminoso que não usa roupas. Antes de ser transformado, ele atendia pelo nome de Jon Osterman. Trancado acidentalmente em uma câmara de testes durante um experimento de física nuclear, o físico é desintegrado, mas, ao invés de morrer, reaparece alguns dias depois como o dr. Manhattan, ostentando uma força super-humana, o poder da telecinese, de ser teletransportado para distâncias até mesmo intergaláticas, a manipulação da matéria em nível subatômico e a capacidade de ver o seu futuro.

Quem conduz a investigação acerca do assassinato do Comediante é Rorschach (Jackie Earle Haley), um cara duro que vive no submundo de Nova York e não deixou de usar sua máscara feita de um tecido cujas manchas são capazes de se mover independentemente – um tecido de látex feito com alta tecnologia, conforme a HQ explica. Como um detetive dos filmes noir, tanto no figurino quanto na narração em off que conduz à medida que escreve seu diário, Rorschach é um cara duro e violento, resultado de uma série de acontecimentos nada agradáveis em sua história. Logo ele ganha a ajuda do Coruja (Patrick Wilson) e de Laurie (Malin Akerman) – filha de uma musa dos Minutemen, a envelhecida e nostálgica Sally Jupiter (Carla Gugino) – para prosseguir com as investigações, enquanto o temor de uma guerra nuclear cresce a cada dia.

Watchmen – O Filme traz personagens complexos, protagonistas de tramas que se cruzam a todo momento, ao mesmo tempo em que o passado é explicado por meio de flash-backs. Esta narrativa toda picotada é característica que vem essencialmente da série em HQ original. Ao mesmo tempo em que mantém viva essa forte ligação entre a obra de Moore e Gibbons e o filme de Snyder, faz com que o longa apresente-se complexo demais para as grandes platéias, aquelas que procuram leveza numa sala de cinema. O que também acabou ocorrendo com a série original, aliás, lançada no mercado editorial revolucionando o conceito de quadrinhos sobre heróis. Embora revolucionária, nunca conquistou um público como as histórias de Homem-Aranha, Batman, Super-Homem e afins. Os heróis de Watchmen sempre foram repletos de defeitos, problemas de personalidade, traumas, tropeços, tornando-se melhor definidos como anti-heróis. Mas que conheciam a podridão da sociedade como poucos e, por isso, talvez tivessem uma idéia de como salvá-la. Afinal, é em busca da salvação mundial que os heróis sempre estão, mesmo sendo dos mais degenerados como os de Watchmen.

O que impressiona em Watchmen – O Filme é o cuidado que o longa tem com elementos estéticos da HQ, bem como algumas referências que continuam na obra cinematográfica, o tom de ironia dos personagens e da própria trama em si. Não à toa, Snyder confessou ter desenvolvido a direção do longa tendo a própria graphic novel fazendo as vezes de storyboard, o que fica bem claro quando o filme apresenta ângulos e movimentos de câmera que reproduzem a fluidez da obra original. Já a fotografia e a direção de arte ganham elementos sombrios nesta adaptação, diferentemente das muitas cores presentes na obra original. O tom aqui é noir, também pelo medo e a paranóia de uma guerra nuclear – presente não somente nos anos 80, mas no anos seguintes também -, que pairam a todo momento.

A caracterização dos personagens em Watchmen – O Filme foi feita de forma bastante cuidadosa, essencial para que os muitos fãs da obra original possam se sentir satisfeitos. Até a máscara de Rorschach, que está em constante mutação, ganha vida única na tela. Não somente esteticamente, mas psicologicamente, a densidade dos personagens é preservada no filme de uma forma como somente um fã poderia fazer. Snyder também deixa sua assinatura ao incluir alguns litros de sangue na trama.

Os diálogos e narrações também foram mantidos de forma fiel, o que acaba atrapalhando na fluidez narrativa. Afinal, estamos falando de cinema. Se na HQ cabiam tantas explicações textuais, no cinema o desafio é encontrar forma de transformá-las em imagem. Claro, estava aí um elemento complicado para esta adaptação: levar o próprio texto da obra original para o cinema e, embora a tarefa tenha sido concluída, ainda faltam arestas a serem aparadas. São essas arestas as que podem manter um público mais amplo longe dos cinemas. O excesso de diálogos e narração, bem como a extensa duração da produção – duas horas e 40 minutos –, são cansativos.

Fãs mais puristas podem torcer o nariz para a mudança no final, mas ela não é tão radical a ponto de fazer com que toda a história perca a razão de ser. Veículos diferentes pedem leituras diferentes, isso não é segredo para ninguém. A questão é: será que o filme conseguirá despertar o interesse e mantê-lo junto aos que não conhecem a obra original? O desafio que enfrenta neste segundo momento Watchmen – O Filme, depois de pronta a adaptação, é despertar o interesse do público adulto em personagens sem super-poderes que se fantasiam para combater bandidos. Desta forma, o longa não deixa de ser corajoso, algo que somente um fã como Snyder poderia ter realizado.

27 março 2009

DESABAFO


clique aqui e assista ao vídeo




[introdução]
Deixa,deixa,deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
[d2]
Segura!!!
[introdução]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Eu já falei que tenho algo a dizer,e disse
Que falador passa mal, e você me disse
Que cada um vai colher o que plantou
Porque raiz sem alma, como o Flip falou, é triste
A minha busca na batida perfeita
Sei que nem tudo ta certo, mas com calma se ajeita
Por um, mundo melhor eu mantenho minha fé
Menos desigualdade, menos tiro no pé
Andam dizendo que o bem vence o mal
Por aqui vou torcendo pra chegar no final
É, quanto mais fé, mais religião
Amor que mata, reza, reza ou mata em vão
Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando
Então
[refrão]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Ok, então vamo lá, diz
Tu quer a paz, eu quero também,
Mas o estado não tem direito de matar ninguem
Aqui não tem pena morte mas segue o pensamento
O desejo de matar de um Capitão Nascimento
Que sem treinamento se mostra incompetente
O cidadão por outro lado se diz, impotente, mas
A impotencia não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade
Hein??
Que você tem em mente, se é que tem algo em mente
Porque a bala vai acabar ricocheteando na gente
Grandes planos, paparazzo demais
O que vale é o que você tem, e não o que você faz
Celebridade é artista, artista que não faz arte
Lava mão como pilates achando que já fez sua parte
Deixa pra lá, eu continuo viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai, vai
Então deixa...
[refrão]
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar

13 março 2009

Relacionamentos, por Arnaldo Jabor.

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: - 'Ah, terminei o namoro... ' - 'Nossa, quanto tempo?' - 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou' - É não deu...? Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar Enfim... Quem disse que seria fácil? Arnaldo Jabor

09 março 2009

Um dia perfeito

Um dia perfeito !Ai...que dor no peito! É o coração apertado, não tem jeito. Quanto mais se pensa, mais se percebe o defeito. Quer a posse a qualquer preço... Mas você não me pertence e não há conserto. Já vem de fábrica, sem garantia este é o conceito. Eu não sabia e já está feito. A dor que doía fez efeito. Matou-me outro dia, estava eu na pilha do ciúme, comendo estrume, num dia de sol, um dia perfeito...
Nilo dos Anjos

GUERRA CIVIL COMBINA COM BRASIL





GUERRA CIVIL RIMA COM BRASIL



“Porque, agora, vemos como em espelho,obscuramente; então,veremos face a face.” 1 Co., 13:12



Waldo Luís Viana*



Quando era criança, adorava um joguinho com lápis e papel, em que aparecia uma série de pontos num quadrado para interligar. Unindo ponto a outro, ao final surgia o gorila. E como era feio o bicho. E eu sorria... O tempo passou, fiquei adulto, mas permaneceram os olhos e as lembranças do menino. Todavia, não sorrio mais. O que estou vendo hoje, interligando os pontos, é muito perigoso. Resta apenas desmoralizar as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal como instituições. Como na Jerusalém do passado, não sobrará pedra sobre pedra, como um dia lamentou Jesus. Advirá o momento em que o diálogo entre o governante e o povo será direto, sem intermediários. Teremos então a flor do Lácio do totalitarismo... O gorila estará visível e nu, como todo poder anticrístico. As instâncias intermediárias, as forças que auxiliam a sociedade civil a se proteger de nada mais valerão, a não ser para legitimar o estupro da nação. E nem será necessário colocar a oposição na cadeia, como queria Bakunin, porque neste país se opor é ato que beira o mau gosto. Oposição é crime de lesa-majestade! Nenhuma resistência acontecerá, porque todos se tornaram malandros e não vão colocar a cabeça de fora para ser decepada. E o país rumará ao patíbulo, sem a defesa de seus filhos. Primeiro, tiveram que desmoralizar a classe política que está misturada ao pior esterco da corrupção; em seguida, a atmosfera de insegurança nas cidades e nos campos se generalizou, com assassinatos e o patrocínio do crime organizado ao delírio geral das drogas; mais adiante, a destruição da educação, da saúde e dos valores morais, como causas antiquadas e “cívicas” a serem minimizadas cotidianamente pela mídia. Vemos até o presidente da República atirando camisinhas ao populacho, nem se importando em discutir uma correta política de controle da natalidade. Aliás, reproduzindo-se feito moscas, os pobres e miseráveis serão o caldo de cultura para a futura sociedade planificada na vontade de um homem só e seus asseclas. Se isso não for fascismo, não sei como se chama... Estamos, finalmente, vivendo um filme de terror, em que os brasileiros são os mortos-vivos. Os movimentos sociais e sindicais permitidos vão fazendo o jogo de cena, próprio das ditaduras, fingindo opinião que não mais detêm, emudecidos por verbas oficiais. Estão calados e bem pagos, como estátuas de sal (ou pré-sal)... Estou emitindo essas considerações, mas não sei até quando poderei fazê-las. A sensação de inutilidade, de malhar em ferro frio, é onipresente, porque é próprio das ditaduras desmoralizar qualquer oposição, colocando o crítico eventual numa situação de paralisia psiquiátrica. Passou-se o tempo em que nos chamavam de “reacionários de direita”. Agora, somos loucos mesmo, os que ousam remar contra a pretensa maré da maioria... Alguns de meus censores, candidamente, me perguntam: por que você critica tanto o presidente? E eu respondo; tenho 53 anos e nasci durante o governo Café Filho, sujeito honestíssimo e de caráter ilibado. Aos catorze anos, na casa de meu pai, em plena ditadura, pude conversar por cinco minutos com um estadista, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e o SNI fotografava todos os que entravam no edifício. Testemunhei o transcurso do regime militar, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e o atual. Cumprindo o princípio da história brasileira contemporânea, de que o futuro é sempre pior que o passado, jamais vi em minha vida um presidente tão descomposto e hilariante na capacidade de dizer asneiras e batatadas. Pensava que o mais folclórico, nesse sentido, teria sido o general Figueiredo, mas o atual, sem qualquer dúvida, bateu todos os recordes. Ele é o anticristo da estrela de cinco pontas que ainda vai nos trazer enormes tristezas e constrangimentos. E me recuso a crer que o brasileiro se identifique tanto assim com ele por ausência de espírito crítico, cultura e sabedoria. Não me recordo de ter sentido tanto medo e insegurança como hoje em dia. Mudei do Rio de Janeiro, onde ouvia toda noite, em certo bairro nobre, o som das metralhadoras, como se estivesse ao lado de minha cama. Cansado de tantas balas perdidas por perto, resolvi morar em cidade pequena e felizmente ainda não conquistada pela bandidagem. A despeito de tudo, não me calei. Quando ouço falar que o MST está matando gente em Pernambuco e que protesta contra o fechamento de suas “madrassas”, escolas de alfabetização terrorista e fundamentalista no Rio Grande do Sul, fico boquiaberto. Sou do tempo em que os estudantes da UNE protestavam contra o regime. Hoje, saem ridiculamente à rua para reivindicar meia-passagem nos ônibus e nos cinemas. Os estudantes “profissionais”, empanturrados de verbas públicas, calaram definitivamente a boca e parece que, em contrapartida, a juventude só se interessa mesmo por baladas regadas a maconha, crack, cocaína, LSD e ecstasy, para esquecer a realidade mórbida em que vivemos. E os combativos acadêmicos trotskistas de ontem são apenas os universitários conformistas de hoje, que passam trotes violentos... Sou do tempo em que havia preocupação com a proletarização das Forças Armadas. Hoje, além de desequipadas e sem opinião, vão ter que curtir os expurgos futuros causados pela ampliação da lei da anistia e da abertura de arquivos acusatórios sobre alguns oficiais de pijama, ainda vivos. É claro que sob o nobre pretexto de não repetir a tortura, sempre hedionda, o governo procura criar um clima de exagero ao comparar o que ocorreu na ditadura militar com o holocausto nazista. A solução é utilizar o erário para recompensar e enriquecer ex-guerrilheiros e alguns falsos terroristas queridinhos do governo vigente. No entanto, a protoditadura que aí está, não satisfeita, quer ainda armar o circo da divisão social. Como Mussolini, dividir a sociedade em compartimentos estanques para melhor governar e poder sobressair. Nesse contexto, temos o pobre, como entidade genérica eternamente defendida pelo salvador de plantão, colocado em litígio contra as classes dominantes, que nunca estiveram tão bem protegidas e prestigiadas, como neste governo. Negros insurgem-se contra brancos, homossexuais contra heteros, índios e quilombolas contra agricultores, mulheres contra homens, deficientes físicos contra não deficientes – enfim, onde possam se constituir subdivisões sociais e cotas politicamente corretas, eis aí o solo fértil para a manutenção e continuidade do poder protofascista. Com a palavra, o Duce de Garanhuns: nunca neste país... Mãos crispadas nos palanques, faces avermelhadas pelo porre da noite anterior, vai o governante cantando loas às próprias realizações, abrindo veredas para a sucessora predileta, um balão de ensaio caprichoso e sem carisma, fruto de teimosia que nenhum de seus acólitos ousa contestar, a não ser através de uma anticandidatura lançada como eram os antigos cristãos às feras famintas... Nunca neste país o ovo da serpente esteve tão prestes a rebentar. A nação é um paiol de pólvora e não me admirarei se focos de inconformidade, diretamente proporcionais ao terrorismo de alguns movimentos sociais, começarem a surgir. Afinal, guerra civil rima com Brasil e essa licença não pode deixar de ser acolhida com imensa preocupação pelo poeta. Podem dizer de mim o que quiserem, porque me acostumei a unir os pontos de um desenho de início incompreensível e aparentemente inextricável. E o gorila que aparece hoje, tal como o diabo, é grande ator na tarefa de iludir e fingir que não existe. Como disse o apóstolo Paulo, sentir como adulto faz com que esqueçamos a imagem de criança, posta no espelho e vislumbremos a verdade, face a face. Mas ao invés de Deus, o que aparece no Brasil é o gorila... _____* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e morre de medo de gorilas...Teresópolis, 28 de fevereiro de 2009.

17 fevereiro 2009

Quarta-feira

Entro no shopping e ouço da voz metálica fria, bom dia!...
Lá dentro uma luz irradia, tão artificial quanto o sorriso do caixa eletrônico que dinheiro cuspia.
Aos olhos das lentes monocromáticas ciclópes.
Enrrigecido e preso eu fugia,
sempre atrasado...
E nas salas geladas de ar condicionado assistia imagens vazias projetadas na tela...
via gente que fingia via dor que não doía, sorriso que não sorria...cinema.
Tão falso quanto seu poema enviado por e-mail, tão falso quanto seu toque nas teclas do computador ao escrevê-lo.
Veio-me a mente o seu sorriso... cínico.

Nilo dos Anjos

O NEOCORONELISMO PETISTA




X
O NEOCORONELISMO PETISTA


“Guerra é Paz,
Liberdade é Escravidão,
Ignorância é Força.”

George Orwell

Waldo Luís Viana*

O Brasil vive a era do escárnio. A corrupção e a violência, de tão banais, já nem despertam manchetes. Tampouco indignação. Esse sentimento ficou relegado aos simplórios e idiotas...

O senador Jarbas Vasconcellos dá uma entrevista bombástica, neste final de semana, dizendo o que todo mundo sabe: que o PMDB é corrupto. Lógico, o resultado: os corruptos do partido irão puni-lo e, com certeza, vencerão, porque são maioria lá dentro. O partido das diretas-Já e do doutor Ulysses, que se tornou apenas um retrato na parede (e como dói...), virou o partido da corrupção, do comércio dos cargos e do escarro das licitações fraudulentas em troca de apoio ao governo.

A estrutura do Executivo, dirigida pelo coronel Lula e seus seguidores sindicalistas, procura agora, à luz do dia e sem nenhuma preocupação com os pruridos formais da Justiça Eleitoral, montar um simulacro de sucessão presidencial, evitando, assim, que a sociedade, na ociosidade do que fazer, cobre alguma coisa sobre outros assuntos mais espinhosos. E até já escolheu os adversários convenientes, os dois governadores do PSDB, para fingir, um ano antes, uma disputa que só interessa aos dois partidos. Como se nada mais existisse no país, que não eles...

Esse jogo antecipado, decerto combinado com o adversário, surte algum efeito, mas as consciências despertas sabem que não é bem assim.

Os petistas, mesmo os mais ligados ao presidente e acostumados com a vigente repartição do butim, estão ressabiados. A sanha fisiológica do PMDB é tanta, seu apetite voraz tão aberto, que a carniça chamada Brasil talvez não sobre para todos os apetites.

Nunca aquela velha frase do deputado udenista Tenório Cavalcanti esteve tão atual: “só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil, os que estão roubando e os que querem roubar...”

Mesmo o Judiciário está aprontando: os ministros do Supremo querem aumento – afinal a crise machuca a todos – sabendo no íntimo que o presidente lhes dará tudo o que pedirem. Também, na situação em que o país está, basta puxar com coragem um fiapo que cai a tenda toda. Mesmo de pé, o cheiro é quase insuportável e até o sr. Marcos Valério anda recebendo ameaças de morte...

A manobra dos fome-zeros, bolsas-famílias e PAC’s tornou-se tão manjada que até os professores universitários, desses que rejeitam nas salas de aula qualquer teoria da conspiração, já estão achando que o governo faz isso para garantir os votos do esculacho...

Ou seja, eles poderiam, inclusive, discutir uma nova tese sobre o presidente. Seria assim: Lula é “geográfico”. Veio do Nordeste num pau-de-arara (ou de navio, como queiram) e retornou a ele, vitorioso, com vinhos franceses e cigarrilhas holandesas. Com o título: “De metalúrgico a Coronel”. Tudo aquilo que no Brasil, desde Gilberto Freyre, fora produzido em vasta literatura sobre o coronelismo está praticamente superado, em matéria de ousadia. E só poderia ser explicado hoje por Lombroso e Nietzsche, de um lado, e, de outro, por Freud e Lacan.

E o Brasil, como esgoto a céu aberto, aclama quase que por unanimidade, o seu coronel! Ele controla o Executivo, com mão-de-ferro, o Legislativo, meio em tom blasé, como se fosse obrigação engolir medidas provisórias e demonstrar a todos o que é um poder agachado e o Judiciário, entupindo-o de benesses e mordomias, quando provocado.

O povo continua faminto, ou vivendo como “deus-qué-né-memo”, mas não destrata o coroné que lhe dá tantas migalhinhas. Essa será a tônica da campanha: assistencialismo e PAC, nada mais. Parece que no Brasil não há o que fazer. Com esses dois esquemas, garantem-se os votos e a eternidade no poder. O coroné sabe o que faz!

Todavia, nosso país não tem inimigos externos nem internos. Vive em paz, certo? Errado. Estamos presenciando uma guerra eterna, como no país imaginário de George Orwell controlado pela teletela e o Big Brother: a paz aqui é guerra permanente, do crime organizado, o de cima e o de baixo, e a violência urbana e rural. No plano externo, criamos fricções onde não existem, apenas para lembrar que o governo do coronel é soberano. Mas como exercer soberania se nossas Forças Armadas estão sucateadas na prática, submetidas apenas ao carinho teórico de projetos? A solução é resolver tudo na diplomacia do papo furado terceiro-mundista, que não ata nem desata e é motivo de riso por todo o planeta...

Mas pelo menos a liberdade de ir e vir ainda é garantida pela Constituição. Certo? É verdade, enquanto os desembargadores e juízes puderem ir livremente aos guichês bancários para sacar seus haveres teremos a sensação de Estado de Direito. Mas e “se amanhã, seu Zé, se acabarem com seu Carnaval?”

Na verdade, o povo não detém as mesmas garantias e é sonegado na educação, nos hospitais, nos transportes, nas estradas e no saneamento, sendo tangido para as periferias e não podendo realmente sair dos guetos circunscritos. Só no Rio de Janeiro são mais de 900 favelas. Para eles, sem dúvida – insisto na imagem de Orwell – a liberdade é escravidão.

Para o coronel, no entanto, exibir com alegria pela TV e o rádio uma fingida ignorância, misturada a metáforas rigorosamente produzidas para seduzir os maltrapilhas que detêm a maioria dos votos – eis a fórmula final do exercício da força, pela legitimidade psicanalítica de convencimento das massas, que querem ver o estado d’alma refletido em seu dirigente. Se a ignorância conduz à popularidade, ignorância é força. É ardil e simulacro.

Nesse estado de tosca estabilidade falar em corrupção é a mesma coisa que discursar sobre corda em casa de enforcado. Um discurso vazio, quando as favas estão aparentemente contadas e o candidato sendo gestado.

Ideal para o coronel, que manda com mão-de-ferro e tem uma candidata sem mandato nas mãos. Ela mantém o sabor de vitória para ele, porque é uma geringonça toda construída pela cabeça do coronel, uma funcionária demissível ad nutum e que jamais disputou eleição, não tendo participado de qualquer “test-driver” eleitoral. É uma obediente vassala do chefe, que se exibe, demonstrando a todos que o que prevalece é a vontade de poder coronelista sobre tudo o mais. A ponto de gerar uma falsa líder em laboratório que, ao contrário das outras mulheres políticas, depende completamente do homem. Nem feminista é, porque não tem luz própria, é Lula própria...

O lado esquerdo do PT, mais ressabiado que o lado direito antes descrito, sente, sem dúvida, um cheiro muito ruim pelo ar. A coisa foi longe demais e não tem retorno – sentem os petistas quase puros, com a língua emudecida. Essa aventura neocoronelista, com o culto à personalidade dos regimes totalitários, chegou a um ponto tal que começa a exigir uma espécie de comlurb para nossos costumes políticos. Como diria Tomás de Aquino, um erro pequeno se tornou grande, afinal...

Para quem tem estômago, o Brasil pode ser aceito assim como está. Não tem mais jeito. O coronel manda mesmo e obedece quem tem juízo. Ao contrário das eleições municipais, ele aposta as fichas na sucessora, como um poste, somente para demonstrar poder e se tornar eminência parda fora dele. Tais cálculos são feitos com antecipação, porque todos percebem um jeito de governo que já acabou, cujo enredo foi posto na mesa e nem pode ser modificado.

De acordo com o que disse do alto de seus dois mandatos como governador, o senador Jarbas Vasconcellos chamou o governo Lula de “medíocre”, sustentado por um partido corrupto. Diria até que foi condescendente. O governo Lula possui outros adjetivos mais baixos e podres. E para a sua continuidade, como não poderia deixar de ser, o presidente convoca um personagem híbrido e de passado nebuloso: uma mulher, capaz de ser amada pelo povo, como o Grande Irmão de Orwell, desde que em nome do fabuloso coronel. “Nunca nezte paiz”...

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* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e acha que a solução para o povo é brincar o Carnaval.
Teresópolis, 16 de fevereiro de 2009.

27 janeiro 2009

IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia - edição 2008

IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia - edição 2008

Foram divulgados os resultados do "Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus"- edição de 2008, entre os quais se encontra do docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues.

O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, edição 2008, anuncia os poetas selecionados. O livro deve estar pronto em final de julho/2009. Criado em 2005 pelo escritor e poeta Valdeck Almeida de Jesus (*), o prêmio é um dos mais importantes da literatura brasileira, pois tem inscrições gratuitas e dá oportunidade a poetas do Brasil e do Mundo de terem seus trabalhos publicados. Durante as edições passadas, foram lançados mais de 300 novos poetas no mercado editorial. Os livros são lançados em feiras de livro e em bienais da Bahia e São Paulo. Em 2008, durante a 20ª Bienal de Sampa, a antologia foi lançada no estande da Giz Editorial e reuniu escritores e poetas do país inteiro. Para 2009, Valdeck promete lançar mais de 200 poetas na Bienal do Rio de Janeiro, prevista para setembro.

A lista dos seleccionados para este ano são:

Adalberto Caldas Marques, Adenir B. G. L. de Souza, Adriana Aparecida de Oliveira Pavani, Adriana E. Dellorefiche, Aidner Mendez Neves, Alana Marques da Silva, Alex Bruno Rodrigues de Jesus, Alexandre Guimarães da Costa Alecrim, Aléxis Cerqueira Góis, Allan Pitz Ribeiro de Souza, Altair Fonseca Ramos, Álvaro Reis, Ana Cristina Afonso Cavazzana, Ana Nery Pereira da Silva, Anair Weiricch André Chamun Calazans, André Sesti Diefenbach, Andréa Muroni, Andreev Augusto Pena da Veiga, Andréia Moro Maranho, Angela Togeiro, Anna Maria Avelino Ayres, Antônio Boavida Pinheiro, Antônio Carlos Assis Alves, Antonio Cícero da Silva, António dos Santos Boavida Pinheiro, António Félix Flores Rodrigues, Antonio Jorge Abdalla, Camila Carillo Bahia, Carla Sofia Lopes Ribeiro, Carlos Alberto Ribeiro, Carlos Alberto Silva, Carlos Alexandre da Silva, Carlos Antonio Leite, Carlos Augusto Sousa Borges, Carlos Augusto Souto de Alencar, Carlos Cesar Bordignon Ribeiro, Carlos Eduardo Marcos Bonfá, Carlos Eduardo Pereira Theobaldo, Carlos Roberto Pina de Carvalho, Carmen Vervloet, Cassiane Schmidt, Chrystiane Akegawa Garcêz, Cinthia Nunan Baptista Kriemler, Cláudia Faria Pereira, Claudia Gomes da Cunha, Crisália Souza Silva, Cristiano de Souza, Darcy Ribeiro da Cruz, Denis Marangoni dos Santos, Diamantino Ferreira, Diego Lopes da Silva Alves, Dilermando Mota Sales, Dorli Gromowski Bessega, Ed Carlos Alves de Santana, Ednei Freires dos Santos, Édson Augusto Alves, Edson José Lins Costa, Edson Teigi Hirae, Eduardo de Paula Nascimento, Elaine de Cássia Bender, Elaine Milena Ramos, Eloísa Menezes Pereira, Elton Junior Martins Marques, Emerson Antonio Miguel, Eraldo Souza dos Santos, Erinaldo Barbosa da Silva, Eulália Cristina Costa e Costa, Eurípedes da Silva, Evandro Figueiredo Candido, Evelyne Santana da Silva, Everaldo Martins Gomes, Éverton Germano Araújo Melo, Fabricio Martines Alves, Fátima Venutti, Fernando de Sousa Pereira, Fernando Ernesto Baggio Di Sopra, Fernando Ferragut Paganatto, Filipe Barcelos de Faria, Flávio Cardoso Reis, Francisco Evandro de Oliveira, Francisco José Raposo Ferreira, Francisco José Sobreira de Matos, Genardo Chaves de Oliveira, Generino Gabriel de Jesus, Geraldo Ferreira da Silva, Geraldo Trombin, Gerci Oliveira Godoi, Geyme Mannes Correa, Geziel Ramos Silva, Gilberto Marassi de Loiola Leite, Gilson Santos de Jesus, Giomário Nunes Torres, Giovani Guedes Iemini de Rezende, Heitor Trindade da Silva, Heloísa Bueno de Moraes, Hênio Delfino Ferreira de Oliveira, Heric Steinle, Isa Carolina Soares de Souza, Isabel Florinda Furini, Isis Araújo Ferreira de Carvalho, Ivaneti Nogueira de Jesus Silveira, Izilda de Camargo, Jackson Alessandro de Andrade Caetano, Jaélzia Denise Barreto Crespo, Rangel Jânia Maria Souza da Silva, Jean Carlo Silva, Jean Rocha Teixeira Duarte, Jéferson dos Santos, Jefferson Carvalhaes de Oliveira Souza da Silva, João Carlos Rodrigues Galvão, João Pedro Seibel Wapler, Joice Souza Cerqueira, Jorge Guilherme Tomaz de Alarcão Potier, José Alberto Lopes, José Carlos da Silva, José Luiz Amorim, José Maciel Neto, José Moreira da Silva, José Renato Barbosa Valero, Josélia Pena Castro, Josete Maria Vichineski, Juçara Regina Viegas Valverde, Juliana de Araújo Bumbeer, Juliana Farias Pacheco, Julieta Santoni Suzano, Jussára Custódia Godinho, Juventino José Galhardo Júnior, Karen Raicher Muscalu, Karoline de Souza Viana, Leandro Cunha de Assis, Lenita dos Santos Ferreira, Leonardo Silveira da Silva, Lorena Rodrigues de Souza, Lourdes Neves Cúrcio, Lucêmio Lopes da Anunciação, Lúcia Helena da Silva, Lúcia Regina Gomes de Lontra Costa, Luciane Maria Lopes Zanata, Luciano Henrique Pinto, Luciano Spagnol, Luís Alberto Gusmão Rocha, Luís Carlos de Oliveira Barbosa, Luís de Aguiar,Luís Fernando Amâncio Santos, Luiz Alberto Conceição Farias, Luiz Carlos Vieira, Luiz Godim de Araújo Lins, Luzdalva Silva Magi, Madson Hudson Rego Moraes,Marcel Franco da Silva, Marcela Cristiane da Silva, Márcia Regina de Araújo Duarte, Márcio de Jesus Souza, Marcio Dison, Marcio Fabiano Monteiro, Marco Antonio Coelho de Moraes, Maria Angela Manzi da Silva, Maria Apparecida S. Coquemala, Maria de Fátima de Moraes Marques Henriques, Maria Del Carmen Britto Mendez, Maria Santana Leite, Maria Valeska Berardo Pessoa de Souza, Mariana da Silva Mourão, Mariana Sierra de Oliveira, Marina Gomes de Souza Valente, Marlene Amélia de Nazareth, Marlene Correia Ferraz, Marlon Couto Ribeiro, Matheus Bueno de Bueno Funfas, Mauro Cesar Bartolomeu, Maycon Cypriano Batestin Michelle de Castro Pannunzio, Mónica Susete Curado Godinho Cunha, Neida Rocha, Nilcéia Gazzola, Nildes Trigueiros Rodrigues, Nilmário Pereira dos Santos Quintela, Nilo dos Anjos Gomes, Norberto Antonio, Paula Cristina Fraga Alves, Paula Miasato, Paulo Assim, Paulo Vitor Barbosa dos Santos, Pedro Gade Rodrigues, Pedro Márcio Arantes Di Pietro, Rafaela Beatriz Dias Ferreira, Raimundo Teixeira Sousa Filho, Raul Felipe Schmidt Machado, Regina Prieto Romolo Guilherme Barbosa, Reginaldo Correia da Silva, Reginaldo Costa de Albuquerque, Régis Arantes de Freitas, Renata Iacovino, Renata Paccola Frischkorn, Renata Rimet Ramos Silva, Ritamar Invernizzi, Robinson Silva Alves,Robson Gomes de Brito, Rodrigo Cézar Limeira, Rodrigo Rocha Pita, Roque Aloisio Weschenfelder, Rosana Banharoli, Rosário Bernardo Santos, Rose Gonçalves, Roseli Princhatti Arruda Nuzzi, Samuel Freitas de Oliveira, Sara Souza Gehlen, Saulo Miranda Feitoza, Semi Gidrão Filho, Sergio Trochinski, Simone Alves Pedersen, Simone Maria de Lima Lessa, Sônia Maria Ferraz, Sonia Maria Lobo Moreira da Silva, Sonia Maria Nogueira, Suzana Arruda Cordts, Suzana Dulce Corrêa Fagundes Taiane, Caroline Cruz Talita, Paula Machado Lobo, Tássio Simões Cardoso, Tatiana Alves Soares Caldas, Teresinha Gatelli, Theo Gonçalves Negreiro de Braga, Thiago Paes de Barros de Luccia, Tiago Oliveira Cardoso, Trajano Amaral de Oliveira, Ubiracy Olimpio da Silva, Uili Bergamin, Valquíria Gesqui Malagoli,Valter Rodrigues Mota Vanessa Campos Ratton Ferreira, Varenka de Fátima, Vera Maria Puget Blanco Bao, Verônica Miranda, Vinícius Lima dos Reis, Virgínia Marília Candeias Santos Mareco, Vladimir Silva, Wagner Paiva Fernandes, Weder Alves Barbosa da Silva, Wilson Kleber Falcão de Alencar, Ygor Moretti Fiorante, Yolanda Soares de Souza e Zara Patricia Mora Vázquez.

Biografia do poeta organizador do prêmio:

VALDECK ALMEIDA DE JESUS é funcionário público federal, nasceu a 15 de fevereiro de 1966 em Jequié/BA, onde viveu até aos seis anos de idade, quando foi residir na Fazenda Turmalina (região de Itagibá/BA), onde continuou a estudar em escola pública até os 12 anos de idade. Aluno exemplar retornou a Jequié/Ba para se matricular na 5ª série do primeiro grau, em escola pública. Ingressou nas Faculdades de Enfermagem e de Letras, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em 1990; na Faculdade de Turismo, na Faculdade São Salvador, não concluindo os cursos. Reside em Salvador, desde fevereiro de 1993. Atualmente faz o curso de Jornalismo na Faculdade Social da Bahia.Na capital, fez cursos de informática, teatro, relações humanas e fotografia. Fez, ainda, curso de espanhol durante dois meses em Madri (Espanha), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Puerto Iguazu (Argentina), Ciudad del Este (Paraguay) e La Habana (Cuba) e de inglês por três anos em Salvador, complementado por curso intensivo de três meses em Nova York, Estados Unidos. Prêmios Literários:a) Menção Honrosa em 1989 no 1° Concurso Nacional de Poesia, promovido pelo Instituto Internacional da Poesia, de Porto Alegre/RSb) e no Concurso Literário Oswald de Andrade, promovido pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em 1990, na cidade de Jequié/BAc) Classificação no concurso literário Bahia de Todas as Letras, promovido pela Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus/Ba, no ano de 2007, com o conto “Eu e o Word”, com nota 7 (sete)d) Classificação no concurso literário realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal da Bahia, com a crônica “Alice”, no ano de 2007, em Salvador/BAe) Destaque no XII Concurso de Poesias, Contos e Crônicas realizado em 2007 pela ALPAS XXI, em Cruz Alta/RS com o texto “Minha paixão por livros”.f) Prêmio Luiz Mott de Cidadania 2008, pelo conjunto da obra, pela defesa dos direitos humanos e dos homossexuais, em indicação feita pelo Glich – Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual, de Feira de Santana/Ba. Participa das antologias:“Poetas Brasileiros de Hoje –1984”, Shogun Arte, Rio de Janeiro, 1984; “Transcendental”, publicado em Salvador em 1996, pela Editora Gráfica da Bahia; “II Antologia Cultural: 500 Anos de Língua Portuguesa no Brasil”, Clube de Letras, Barra Bonita/SP, 2005; “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 14º volume”, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro, 2005; “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 15º volume”, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro, 2005; “Letras Libertas - Contos, Crônicas e Poesias - Vol 2”, Ilha das Letras, Santa Catarina, 2005; “XV Concurso Internacional Literário de Verão”, Agiraldo, São Paulo, 2005;“Palavras que Falam”, Scortecci, São Paulo, 2005; “Todas as Formas de Amar”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2005; “O Amor na Literatura”, São Paulo, Casa do Novo Autor, 2005; “Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro, 2005; “VII Antologia Nau Literária”, Komedi, São Paulo, 2005; “Ensaios Poéticos”, Academia Virtual Brasileira de Letras, 2005; “Poetry Vibes”, Poetry Vibes, Ohio, USA, 2005; “Ação e Reação. Pequenos Contos”, AVBL, São Paulo, 2005 (livro eletrônico);“Ensaio Poético. Natureza. Vida”, AVBL, São Paulo, 2005 (livro eletrônico);“Meu País é Este”, AVBL, São Paulo, 2005 (livro eletrônico);“20 Anos de Poesia – Caderno 32”, Oficina, Rio de Janeiro, 2005; “Pérgula Literária – VII”, EVSA, Rio de Janeiro, 2005;“Sangue, Suor e Lágrimas”, Arnaldo Giraldo, São Paulo, 2006; “Palavras Libertas”, Roma, Uberlândia/MG, 2007;“Amor, Sublime Amor”, Litteris, Rio de Janeiro, 2006; “XI Coletânea Komedi”, Komedi, Campinas, 2007;“Letras Intimistas”, aBrace, Montevidéu (Uruguay), 2007;“Primavera de 2006 – Inverno de 2007”, Via Litterarum e Editus (UESC), Itabuna/Ilhéus, 2007;“Retratos Urbanos”, Andross, São Paulo, 2008;“Poemas e Outros Encantos: nova coletânea”, Edir Barbosa Editor, Teixeiras/MG, 2008;“Elo de Palavras”, Scortecci, São Paulo, 2008;“Livro de Todos: o mistério do texto roubado”, coordenação Imprensa Oficial, São Paulo, 2008;“Salvador: 460 anos de poesia”. Organizador Roberto Leal – Omnira, Salvador/BA, 2008.Livros publicados de forma independente:“Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; Este livro reúne poesias de desabafo, muitas delas dedicadas a mulheres, quando na verdade o escritor falava de seus amores secretos, namorados homens.“Feitiço Contra o Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo, 2005; Livro de poesias.“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo, 2005; Conta a história da família do escritor Valdeck Almeida de Jesus, que enfrentou a fome e a miséria por mais de vinte anos e venceu. 100% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce.“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz, São Paulo, 2007; 20% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce.Editor da “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2005; “Poemas Que Falam”, Casa no Novo Autor, São Paulo, 2007.“Valdeck é Prosa, Vanise é Poesia”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro, 2007.“30 Anos de Poesia”, Câmara Brasileira do Jovem Escritor, Rio de Janeiro, 2008.Trabalhos Diversosa) Expositor, como escritor independente, na Bienal do Livro da Bahia, em 2005 e 2007.b) Expositor no III Corredor Literário da Paulista, de 09 a 14 de outubro de 2007, em São Paulo/SPc) Participação no V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre/RS, de 26 a 31 de janeiro de 2005; d) Participação, como organizador da Mostra de Arte e Cultura, no II Congresso Estadual do Sindjufe-BA, de 01 a 03.06.2007, no Hotel Sol Bahia Atlântico, em Salvador/BAe) Tem poemas publicados nos jornais de grande circulação da capital e do interior do estado da Bahia, além de jornais de Brasília/DF; Colaborador, desde 1985, do jornal A PROSA, de Brasília/DF. f) Colaborador da revista cultural Art’Poesia, de Salvador, editada por Carlos Alberto Barreto, que publica poemas de autores do mundo inteiro.g) Palestra na ong Vento em Popa, no bairro Jardim Gaivotas, em São Paulo, em 2007, com o tema “Motivação através da leitura”.h) Colunista do site www.zonamix.com.br desde fevereiro de 2006 e do site www.radarmix.com, desde março de 2006. Nestes e em outros sites do segmento GLSBTT, o escritor colabora sempre com matérias ligadas ao mundo gay, cobertura de paradas e eventos GLBTTS.i) Verbete do “Dicionário de Escritores Baianos”, Secretaria de Cultura e Turismo, Salvador, 2006.j) Membro da Federação Canadense de Poetas desde 2004.k) Membro da Associação Artes e Letras (França) desde 2005.l) Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, desde março de 2006. m) Em 1987 participou da Diretoria Regional do Partido Comunista do Brasil e da União da Juventude Socialista - UJS, em Jequié/BA. Eleito o primeiro diretor de imprensa do Grêmio Estudantil Dinaelza Coqueiro, do Instituto de Educação Régis Pacheco, fundou o jornal Jornada Estudantil. n) Fundador do fã-clube do Jean Wyllys (www.jeanwyllys.com). Seu site profissional é www.galinhapulando.com O site Galinha Pulando apóia todos os eventos e movimentos de afirmação da cidadania, contra o racismo e, principalmente, contra a homofobia. Divulga também matérias e coberturas ligadas ao meio GLSBTT.o) Colaborador do Café Literário de Camaçari/Ba, evento realizado pela coordenação do PROLER – vários anos.Residente e domiciliado à Rua São Domingos Sávio, 155 – Edifício Gama – apartamento 401 – CEP 40050-520 – Nazaré, Salvador/Bahia, poeta e escritor, filho de Paula Almeida de Jesus e de João Alexandre de Jesus (ambos falecidos).

26 novembro 2008

YIN YANG










Segundo a filosofia chinesa o yin yang é a representação do bem e do mal, sendo o princípio da dualidade, onde o bem não vive sem o mal e vice e versa. O criador desse conceito foi I Ching, ele descobriu que as formas de energias existentes possuem dois pólos e identificou-o como Yin e Yang. O Yin representa a escuridão, o princípio passivo, feminino, frio e noturno. Já o Yang representa a luz, o princípio ativo, masculino, quente e claro. Além disso, também são indicados como o Tigre e o Dragão, representando lados opostos. Quanto mais Yin você possuir, menos Yang terá e, quanto mais Yang possuir menos Yin você terá. Essa filosofia diz que para termos corpo e mente saudável é preciso estar em equilíbrio entre o Yin e o Yang. Há sete leis e doze teoremas da combinação das energias Yin e Yang: As leis são;



1. Todo o universo é constituído de diferentes manifestações da unidade infinita;
2. Tudo se encontra em constantes transformações;
3. Todas as contrariedades são complementares;
4. Não há duas coisas absolutamente iguais;
5. Tudo possui frente e verso;
6. A frente e o verso são proporcionalmente do mesmo tamanho;
7. Tudo tem um começo e um fim.


Os teoremas são;
1. Yin e Yang são duas extremidades de pura expansão infinita: ambas se apresentam no momento em que a expansão atinge o ponto geométrico da separação, ou seja, quando a energia se divide em dois;
2. Yin e Yang originam-se continuamente da pura expansão infinita;
3. Yang tende a se afastar do centro; Yin tende a ir para o centro; E ambos produzem energia;
4. Yin atrai Yang e Yang atrai Yin; Yin repele Yin e Yang repele Yang;
5. Quando potencializados, Yin gera o Yang e Yang gera o Yin;
6. A força de repulsão e atração de todas as coisas é proporcional à diferença entre os seus componentes Yin e Yang;
7. Todos os fenômenos têm por origem a combinação entre Yin e Yang em várias proporções;
8. Os fenômenos são passageiros por causa das constantes oscilações das agregações dos componentes Yin e Yang;
9. Tudo tem polaridade;
10. Não há nada neutro;
11. Grande Yin atrai pequeno Yin; o grande Yang atrai o pequeno Yang;
12. Todas as solidificações físicas são Yin no centro e Yang na periferia.

17 novembro 2008

"Un poquito" de São Paulo ... por Washington Olivetto











SÃO PAULO
por Washington Olivetto
Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar
São Paulo
parecida com Nova York.
Discordo deles.


Só acha São Paulo parecida com Nova York
quem não conhece bem a cidade.
Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que
São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com
muitas cidades ao mesmo tempo e,
por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.
São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com
Paris no Largo do Arouche, Salvador na
Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do
Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro,
Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a
pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.


São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias
e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo,
como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem
gente dormindo embaixo das pontes.
Tem o deslumbrante
pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da
Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país.
Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também
promove acidentes como o da cratera do metrô
e o do avião da TAM em Congonhas.


São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia
dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês,
um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm
diversos grandes times de futebol, sendo que um deles
leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido 'o mais querido'.
Mas, na verdade, o maior e o mais
querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto
da Portuguesa e foi fundado por italianos,
igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.
São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a
2007 tendo como celebridade o permissivo
Oscar Maroni, do afamado Bahamas.



São Paulo já foi chamada de 'o túmulo do samba'
por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini
e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da
deselegância discreta de suas meninas, corretamente
constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como
Dener Pamplona Abreu e Gloria Kalil.




Em São Paulo se faz pizzas melhores que as de Nápoles,
sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores
que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris,
até porque em Paris não existem pastéis,
muito menos os de feira.


Em alguns momentos, São Paulo se acha o
máximo, em outros um horror.
Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.




São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins
cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando
as suas imitações paulistanas.



São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade
brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e
pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o
Rio faz o mesmo.




São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade,
mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa.
Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê
para valer, coisa que os ingleses já provaram ser
perfeitamente possível com o Tâmisa.



Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa,
purificando o ar, organizando o mobiliário urbano,
regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões
sonoras e melhorando o tráfego,


São Paulo jamais será uma cidade belíssima.
Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe
natureza, é fruto do trabalho do homem.
Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que
a cidade oferece, no clima de excitação permanente,
na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza,
fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se
manifesta.




São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do
homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece
observando as meninas que circulam pelas ruas.
E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio
(local de fundação da cidade), a Estação da Luz
(onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa),
o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera,
o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia,
o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América
Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a
Pinacoteca e mais uma infinidade de
lugares desta cidade que não
pode parar, até porque tem mais carros
do que estacionamentos.


São Paulo não é geograficamente linda, não tem
mares azuis, areias brancas nem
montanhas recortadas.
Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e
nossos alpinistas, na maioria, são sociais.
Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o
quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente
muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.
Entre as maiores cidades do mundo, como
Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de
proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor.
Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro.
O mais importante é que com essa
distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!



(Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário).
(Nilo dos Anjos é carioca, fluminense, mora em Olinda-PE e brasileiro acima de tudo.)

07 novembro 2008

O DISCURSO RACISTA NA TV



O DISCURSO RACISTA NA TV:
UMA ANÁLISE DA PROPAGANDA DA CERVEJA SOL
Lise Mary Arruda Dourado
Especialista em Metodologia do Ensino Superior
Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Nós não queremos papéis de negros, queremos
papéis de brasileiros empregados, empresários, dentistas,
médicos, advogados. (ARAÚJO apud RAMOS, 2002)
1
Resumo: O presente artigo tem por objetivo investigar as condições de produção do
discurso veiculado por uma propaganda da cerveja Sol e de que modo busca
contribuir para a manutenção de uma concepção étnica que insiste em manter o
negro em uma posição marginal. Visto que a propaganda constitui importante
produto cultural, tanto pela regularidade com que é exibida nos intervalos entre
programações, quanto por mobilizar determinados universos de referência e, com
isso, impor modelos coletivos de representações e comportamento. O corpus do
trabalho constitui-se na propaganda da cerveja Sol, veiculada em rede nacional, no
verão de 2007. A análise, que busca desvelar a maneira como a memória discursiva
do sujeito-telespectador brasileiro é acionada à produção de sentidos, é realizada à
luz dos dispositivos da Análise do Discurso de Linha Francesa (PÊCHEUX, 1990;
ORLANDI, 2003) além de utilizar alguns verbetes de Charaudeau e Maingueneau
(2004). As reflexões acerca dessa análise contribuem para descortinar o véu
ideológico do branqueamento presente na propaganda em questão, cujo título é
Bronzeador.
Palavras-chave: Condições de produção; Discurso racista; Propaganda televisiva.
INTRODUÇÃO
O universo midiático exerce na pós-modernidade um papel fundamental
na circulação de sentidos, cujos valores simbólicos influenciam cultural e
socialmente na constituição dos sujeitos. Para esse fim, a televisão, considerada um
dos veículos de comunicação mais populares, lança mão de diversos mecanismos e
estratégias que envolvem aspectos verbais, visuais e sonoros. O poder, que lhe foi
delegado por tais aspectos, gerou uma ambivalência de opiniões a seu respeito:
[...] ora afirmam ser a televisão um instrumento de estímulo e
incentivo à produção da violência, que informa pouco e mal, ‘destrói
mais saber e mais entender do que transmite’, ‘está mudando a
natureza do ser humano’ (SARTORI, 2001, p. 8-9); que emburrece,
aliena, hipnotiza, vicia e transmite ao vivo imagens de guerra como
1
Joel Zito Araújo é Doutor em Comunicação, professor visitante da Universidade do Texas, cineasta e diretor.
Page 2
‘espetáculo excitante’ (KEHL, 1991, p. 60); que os produtos
disponibilizados pelas agências de notícias são vinculados, ‘quase
sempre, a interesses políticos e econômicos, divulgando, ignorando
ou distorcendo o que lhes interessa ou parece conveniente’
(FREIRE, 1999, p. 19). Ora apontam-na como dispositivo audiovisual
através do qual uma civilização pode exprimir a seus
contemporâneos os seus anseios e dúvidas, as suas crenças e
descrenças, as suas inquietações, as suas descobertas e os vôos de
imaginação (MACHADO, 2000, p. 11). (TASSO apud NAVARRO,
2006, p.131)
Entre as tipologias do gênero midiático televisivo, a propaganda constitui
importante produto cultural, tanto por nos emocionar, chocar, divertir ou atrair,
quanto pela regularidade com que é exibida nos intervalos entre programações, o
que aumenta o seu poder de persuasão. Há muito, a publicidade não se limita à
divulgação dos aspectos funcionais e dos benefícios do produto ou serviço
anunciado. Ao reconstituir cenas cotidianas da vida e mobilizar determinados
universos de referência, em detrimento de outros, a propaganda também propõe
modelos coletivos de comportamento - podendo cristalizar estereótipos – e, dessa
forma, assume uma poderosa influência cultural. Bem ou mal, um “papel social” é
cumprido, pois a propaganda espelha e serve de referência para a construção de
identidades:
[...] a televisão se inscreve numa seqüência temporal breve, que se
impõe à instância que olha, orientando-a em seu olhar sobre os
dramas do mundo. Assim, pode-se dizer que a televisão cumpre um
papel social e psíquico de reconhecimento de si através de um
mundo que se fez visível
2
(CHARAUDEAU, 2006. p. 112, 112).
Lançar-se-á um olhar étnico sobre a propaganda da cerveja Sol, a fim de
investigar se, na contribuição desta publicidade para a construção da identidade
negra, há indícios de um discurso racista. Para tanto, prioriza-se a discussão sobre
as condições de produção, lançando mão dos pressupostos teóricos da Análise do
Discurso de linha francesa. Para esta,
As condições de produção do discurso irão determinar não o sentido
em si, mas as posições ideológicas do jogo discursivo. Podemos
considerar as condições de produção em sentido estrito e temos as
circunstâncias da enunciação: é o contexto imediato. E se as
considerarmos em sentido amplo, as condições de produção incluem
o contexto sócio-histórico, ideológico. (ORLANDI, 2000, p. 46).
O recorte proposto para este trabalho pretende analisar até que ponto a
publicidade assume o papel de instrumento de dominação, visto que, segundo
Munanga (1996, p. 80) “[...] os preconceitos raciais são considerados como atitudes
2
Essa semiotização do real pela imagem, em que cada um se projeta no que aparece como um reflexo de seu
ambiente, é constitutiva do sujeito. (BELISLE apud CHARAUDEAU, 2006. p. 112).
Page 3
sociais propagadas pela classe dominante, visando à divisão dos membros da
classe dominada, para legitimar a exploração e garantir a dominação.”
É indispensável verificar, na associação dos elementos audiovisuais, a
presença do elemento ideológico, já que, para se constituir sujeito, o indivíduo é
interpelado pela história e pela ideologia (ORLANDI, 2003, p. 46). Essa interpelação
acontece quando o indivíduo sofre interferências da história no sentido de se
inscrever em um discurso já existente. E essa inscrição não é aleatória, pois há um
processo de identificação do sujeito com o discurso predominante. Desse modo,
cabem alguns questionamentos: a) Há manipulação do sujeito-telespectador a
desvalorizar a raça negra? b) Até que ponto a ideologia do embraquecimento pode
estar materializada no discurso dessa propaganda? A fim de responder a essas
questões, serão considerados princípios teóricos do funcionamento discursivo na
mídia televisiva, articulados aos conceitos de racismo e embraquecimento.
Considera-se racismo como a manifestação do preconceito e da
discriminação que permeiam as relações de raças em uma sociedade (MUNANGA,
1996, p. 76). O preconceito revela-se no dia-a-dia, nas situações mais simples, em
uma sociedade na qual as pessoas desenvolvem um mundo simbólico em que as
características fenotípicas acabam operando como referências para esse
preconceito. À proporção que a mídia enaltece as características fenotípicas de uma
raça em detrimento da outra, colabora para o enfraquecimento da segunda. Em
outras palavras, há uma introjeção da idéia da superioridade racial, o que colabora
para a sedimentação do embranquecimento, que vem a ser a negação da negritude
(FERREIRA, 2000, p. 70).
1 ANÁLISE DO TEXTO PUBLICITÁRIO
No tópico anterior, foram considerados princípios teóricos sobre o
funcionamento discursivo na mídia televisiva, articulando com os do discurso racista;
priorizou-se estabelecer relações existentes entre história
3
, memória
4
e condições de
produção na produção de sentidos relativos ao discurso racista. A seguir, por meio
dos dispositivos teóricos disponíveis, analisa-se a propaganda da cerveja Sol,
veiculada no verão de 2007 e intitulada Bronzeador. Pela análise a ser apresentada,
busca-se demonstrar quais mecanismos e estratégias foram utilizados nessa
materialidade midiática que possibilitaram a produção de determinados sentidos em
detrimento de outros. Pretende-se, em síntese, esboçar o que, o como e o porquê a
propaganda parece dizer o que diz. Inicia-se, então, a análise do texto publicitário,
apresentando o jingle
5
que acompanha a exibição do vídeo:
(P1): Tava no escritório com um baita de um calor...
(CM): Sol!
3
A produção de acontecimentos que significam. (ORLANDI, 2003, p. 31)
4
O saber discursivo que torna possível todo dizer e que retorna sob a forma do pré-construído, o já dito que está
na base do dizível, sustentando cada tomada da palavra. (ORLANDI, 2003, p.31)
5
Canção especialmente composta e criada para a propaganda de determinada marca. Forma de música
geralmente simples e cativante, fácil de cantarolar e recordar. (RABAÇA e BARBOSA, 1998, p. 134)
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(CM): Vamo aí, que’o verão já começou!
(P1): Mas verão sem mulherada, não é verão, é um terror!
(CM): Sol!
(CM): Vamo aí, que’o verão já começou!
(P1): Agora, o lance é achar o vendedor...
(P2): Ó a Sol, nem forte, nem fraca, no ponto!
(CM): Vamo aí, que o verão já começou!
(P3): Peraí! Quem vai passar o bronzeador?
(CM): Eeeeeeu!
(P4): E o verão tá bombando. Vamo aí?
(VM): Beba com moderação.
A enunciação é realizada por quatro personagens distintas (P1, P2, P3,
P4), um grupo de personagens masculinas que compõem um coro (CM: coro
masculino) e um enunciador masculino não identificado (VM: voz masculina). Para o
desenvolvimento da análise, subdividiu-se o vídeo, exibido em 30 segundos, em 3
partes, constituídas de 32 cenas: a primeira parte, formada pela seqüência de cenas
1 a 5, corresponde ao espaço de uma metrópole; a segunda, pela seqüência de 6 a
12, equivale ao espaço da estrada; a terceira, pela seqüência de cenas 13 a 32, ao
espaço da praia. Esse jingle apresenta-se em cadência acelerada, jovial. A fim de
considerar apenas o indispensável à discussão deste trabalho, a análise da
propaganda encerra-se na cena da terceira parte em que a personagem masculina
negra (P2) surge como enunciador, recebendo destaque no texto fílmico. De
maneira enxuta, tornou-se possível demonstrar como os principais elementos verbo-
visuais se articulam com os sonoros
6
, produzindo efeitos de sentido singulares na
propaganda, bem como a seqüência narrativa que dela faz parte. Note-se a
seqüência:
Na parte 1, um homem jovem (P1), aparentando ter faixa etária entre 18 a 25 anos
aproximadamente, de fenótipo branco, vestido com camisa de manga comprida branca e gravata
amarela, encontra-se em um ambiente de cor acinzentada. Além da ambientalização e do seu traje
indicarem que se trata de um local de trabalho, no jingle, P1 canta “Tava no escritório” e folga a
gravata. P1 sugere ao sujeito-telespectador que o ambiente está quente. Apesar do traje social, a
gravata amarela e o cabelo desalinhado de P1 são indícios da irreverência dessa personagem.
Na seqüência, P1, ainda folgando a gravata, aparece enquadrado pela câmera na janela
do escritório. Como a janela está aberta, o sujeito-telespectador pode deduzir que naquele ambiente
faz muito calor.
P1 confirma tal efeito de sentido, pois canta “... com um baita de um
calor!”. O vocábulo “baita” sugere fuga da variedade lingüística padrão, o que
contribui para a produção do sentido de informalidade de P1 e, por conseguinte, do
próprio produto. Assim, a cerveja Sol é um produto que deve ser consumindo
independente da circunstância ou do consumidor.
P1 destaca-se pelo contraste das cores branca e amarela com o seu
ambiente de trabalho de cores escuras e frias. Uma breve análise semiótica permite
perceber que estas cores simbolizam o líquido, sendo este personificado na figura
6
O conjunto de sons quer sejam eles verbais (falados ou cantados) ou não, ruídos ou oriundos de instrumentos
musicais.
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de P1, pela sua irreverência ao burlar as normas de um sistema. Enquanto o branco
representa a espuma da cerveja, o amarelo corresponde ao conteúdo.
Em seguida, a câmera aproxima-se da janela do escritório, focando o
trânsito e destacando quatro caminhões amarelos com a palavra “Sol”, escrita em
vermelho, nas laterais. Os caminhões circulam em diversos sentidos e direções,
embaixo e em cima de um viaduto. O recurso de enquadrar, em fração de segundos,
tantos caminhões em um espaço limitado pela janela, possibilita mostrar o intenso
consumo da cerveja, e, especificamente, daquela marca, naquele período e pode
representar um convite a P1 refrescar-se. Ouve-se um coro masculino (CM) falar
forte e rapidamente “Sol!”.
Ainda no escritório (enunciado por P1 na cena 1), há uma predominância
de figuras masculinas, de fenótipo branco. Todas as pessoas estão vestidas
formalmente, uma delas gira a cadeira e quase todas as outras jogam os papéis
para cima. O CM, no jingle, convida: “Vamo aí, que o verão já começou!”. A
predominância de personagens masculinas e o coro, igualmente másculo, compõe
uma conjugação dinâmica que produz o sentido de que o convite, em 1ª pessoa do
plural “Vamo” (variação lingüística, português não padrão), dirige-se não só aos seus
pares, supostamente homens, jovens, de fenótipo branco, que trabalham em
escritórios, independentes financeiramente, mas também a todos os que se
identificarem com a proposta da marca. Vale ressaltar que não aparece qualquer
personagem de fenótipo negro. A observação dessa ausência é fundamental para a
análise proposta por esse trabalho.
Na seqüência, surgem vários “homens de escritório”, abrindo bruscamente
portas largas de madeira e saindo velozmente, alguns escorregando pelo corrimão
que divide a larga escadaria. Devido a tais elementos e à seqüência da narrativa,
que mostrava o escritório no alto de um prédio, o sujeito-telespectador pode deduzir
que se trata da saída do prédio em que fica o escritório. O recurso da associação do
CM - que completa a frase da cena anterior, “...que o verão já começou!” – com a
saída brusca das personagens aciona a idéia de viver intensamente o dia, ou carpe
diem.
Na segunda parte, exibe-se o interior de um carro esportivo de luxo, onde
se encontram 4 homens. Tal elemento visual pode reforçar a idéia da independência
financeira masculina. Assim como o automóvel dirigido, um Eco Sport, P1 conota
integração com a natureza e também propõe o carpe diem. Ao lado de P1, está um
homem jovem de fenótipo branco, atrás de P1, mais outro de fenótipo branco e,
atrás do banco do carona, um de fenótipo negro. Mas a sombra da prancha de surf,
que está sobre o veículo, esconde a personagem negra, vista com dificuldade pelo
telespectador. Essa personagem parece não ter nenhuma função, buscando ocupar
um espaço que efetivamente permanece vazio, numa clara tentativa de apenas
cumprir a lei 3198/00
7
que determina um percentual de 20% de negros em
programas televisivos.
7
Projeto de lei do Deputado Federal Paulo Paim (PT-RS).
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A câmera, que se encontra no interior do carro, aproxima-se e, quando dá
um close na face direita do motorista P1, focaliza, ao fundo, um ônibus que buzina.
Podem-se ver pessoas acenando dentro do ônibus azul. P1 continua a cantar,
completando a frase iniciada na cena anterior: “... não é verão, é um terror!”. O
conjunto dos elementos áudio-visuais que compõem o quadro cênico aciona a
memória do sujeito-telespectador, que deduz o desenrolar da narrativa, ou seja, o
sujeito antecipa que há mulheres no ônibus.
Na seqüência, lê-se apenas “olley Fe” na lateral do ônibus. Entre as duas
“palavras”, há o desenho de uma estrela. Dentro desse ônibus, há várias mulheres,
de fenótipo branco, amontoando-se nas janelas, olhando para a direção da câmera.
Como a câmera, na cena anterior, estava no interior do carro esportivo, é possível,
ao sujeito-telespectador, atribuir o sentido de que as mulheres estão olhando para
os homens do carro, ou, pelo menos, para os dois, de fenótipo branco, que estão na
lateral próxima ao ônibus. Ouve-se o CM: “Sol!”. A associação dos elementos áudio-
visuais pode levar o sujeito-telespectador a produzir o sentido da satisfação
masculina diante de tantas mulheres acenando. E como, na cena anterior, a buzina
partiu do ônibus onde estão as mulheres, sugere-se o sentido da lascívia feminina.
Em seguida, P1 e o passageiro que está na lateral direita do veículo, com
as janelas abertas, olham para o ônibus. O CM canta: “Vamo aí...”. Agora,
relacionando o jingle aos elementos visuais, o sujeito-telespectador pode atribuir ao
vocábulo “vamo” o sentido de anúncio de visita às mulheres, já que o vocábulo “aí”
parece referir-se a essas mulheres.
Surgem duas mulheres loiras: uma, que aparece no lado esquerdo do
vídeo, olha em direção à câmera e acena com um gesto de chamamento, abrindo e
fechando as mãos; a outra, do lado direito, segura uma lata de cerveja Sol. Ambas
estão vestidas em traje de banho, mais especificamente de biquíni. Diante dos
elementos visuais que compõem a cena, o sujeito-telespectador deduz o convite
feminino ao prazer carnal e, cristalizando o sentido de lascívia feminina. O CM
continua: “... que o verão...”.
Logo em seguida, a câmera se distancia e pode-se ler “Volley feminino” na
lateral do ônibus. E o CM conclui: “... já começou!”. Fecha-se também o círculo da
representação: finalmente, o sujeito-telespectador atribui sentido ao fragmento de
texto “olley Fe” da cena 8. A presença de estrangeirismo no vocábulo “volley” e a
grafia, em português, do vocábulo “feminino” são elementos da linguagem verbal
que, associados, podem dar sentido à nacionalidade das mulheres e ao status que
elas querem demonstrar. O sujeito telespectador pode atribuir o sentido de que são
brasileiras - pela grafia da segunda palavra – e que tentam demonstrar sofisticação
pelo uso da primeira palavra, escrita em inglês, língua falada pelo Primeiro Mundo.
Na terceira parte, ao fundo da cena, vê-se o ônibus estacionado ao lado
do carro esportivo. A praia aparece na parte inferior do vídeo. P1 abraça duas
mulheres loiras. Há outra personagem masculina também abraçada a uma mulher
loira. Ouve-se P1: “Agora, o lance...”.
Aparecem sombreiros amarelos da cerveja Sol, areia, mar, pessoas de
fenótipo branco. P1 continua: “...é achar o...”. A associação dos elementos áudio-
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visuais que constituem o quadro cênico cria condições do sujeito-telespectador
produzir o sentido de expectativa pela procura de algo (ou alguém) indefinido.
Em seguida, a câmera dá um close no rosto de P1, que aparece entre o
rosto de duas mulheres loiras. Então P1 completa o a frase: “... o vendedor.”. Após
esse instante da cena, a música para de tocar. A procura pelo vendedor e a
ausência de som produzem o suspense, a expectativa como efeito de sentido. Em
seguida, e ainda sem música, a câmara destaca um homem de fenótipo negro,
caminhando na areia, por entre os sombreiros amarelos, carregando uma caixa de
isopor pendurada ao pescoço, levantando uma lata de cerveja e anunciando em tom
pausado, quase cantado: “Ó a Sol! Nem forte, nem fraca, no ponto!”. Considerando
o contexto imediato da propaganda, a associação dos elementos áudio-visuais
permite que o espectador entenda que se trata do vendedor. O tom dado à cena
produz efeito de espetáculo, pois prende e seduz o sujeito-telespectador, ao lhe
mostrar o mundo exterior:
Não é possível fazer uma oposição abstrata entre o espetáculo e a
atividade social efetiva: esse desdobramento também é desdobrado.
[...] A realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real. Essa
alienação recíproca é a essência e a base da sociedade existente.
(DEBORD apud GREGOLIN, 2003, p. 9)
A propaganda simula a realidade quando mostra a personagem,
representação do vendedor ambulante de cervejas, carregada de características
próprias dos reais vendedores, constituintes do objeto representado. A produção de
sentidos pode não se encerrar por aí, uma vez que, a depender do interdiscurso do
sujeito-telespectador e, considerando o contexto histórico da construção da
identidade afro-descendente, podem ser produzidos, pelo menos, dois sentidos
diferentes: a cristalização da imagem do negro como serviçal, subempregado,
marginalizado; ou a indignação por perceber a tentativa de manutenção da idéia de
inferiorização racial do negro sugerida pela propaganda.
Imerso numa sociedade que tem no preconceito racial um dos pilares de
sua construção sócio-histórica, o negro precisa lutar cotidianamente para tentar
desconstruir as imagens criadas em torno da sua etnicidade:
[...] a identidade da pessoa negra traz do passado a negação da
tradição africana, a condição de escravo e o estigma de ser objeto de
uso como instrumento de trabalho. [...] A cor da pele e as
características fenotípicas acabam operando como referências que
associam de forma inseparável raça e condição social, o que leva o
negro à introjeção de um julgamento de inferioridade [...] (SOUZA
apud FERREIRA, 2000, p. 41-42)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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O negro, tanto no contexto imediato (o vídeo publicitário da cerveja Sol),
quanto no histórico-factual, difundido durante aproximadamente 400 anos pelos
europeus e seus descendentes, permanece subjugado a um discurso de
superioridade racial branca. Esta é munida de variadas formas de negação da
negritude, utilizando o espaço midiático como meio de propagar uma ideologia
baseada em pressupostos racistas.
A análise da propaganda demonstra como a mídia aproveita-se do poder
de seduzir os telespectadores, visto emocioná-los através da associação de
elementos sonoros e imagéticos, para reforçar o discurso racial já cristalizado sobre
os negros. A associação das falas e das imagens na produção do discurso
publicitário converge para o estabelecimento de uma suposta verdade, colocada
como inquestionável. Em O Bronzeador, a figura do negro é evidenciada através da
manutenção de estereótipos que lhe atribuem características, tais como: negro
servil, sofredor, incapaz de ocupar determinadas posições e papéis sociais, etc.b
Podemos verificar, na edição da peça publicitária em questão, que sequer
a cota mínima obrigatória prevista em lei federal foi preenchida, evidenciando que
não é apenas através da coersão que se conseguirá mudar o panorama nacional
previamente destinado à população negra, mas também investindo-se em
programas que busquem sensibilizar a sociedade de modo a despertar para a
necessidade da não reprodução do discurso ideológico vigente, buscando a
desconstrução de estereótipos que insistem criar, disseminar e perpetuar a idéia da
inferioridade negra.
É preciso quebrar o espelho que distorce a imagem que o negro tem de si
próprio, a fim de, igualmente, quebrar o processo cíclico onde a vida imita a arte que
imita a vida.
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REFERÊNCIAS
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Fabiana Komesu. São Paulo: Contexto, 2004.
_______. Discurso das mídias. Tradução Ângela S. M. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2006.
COTAS. Lei 3198/00. Disponível em: www.mundonegro.com.br. Acesso em: 07 jul. 2007.
FERREIRA, Ricardo F. Afro-descendente: identidade em construção. São Paulo: EDUC; Rio de
Janeiro: Pallas, 2000.
GREGOLIN, M. do R. (Org.). Discurso e mídia: a cultura do espetáculo. São Carlos: Claraluz, 2003.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira
Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
MUNANGA, Kabengele (Org.). Estratégias e políticas de combate à discriminação racial. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo: Estação Ciência, 1996.
ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5. ed. Campinas, SP: Pontes, 2003.
____________. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4. ed. Campinas, SP:
Pontes, 2003.
RABAÇA, C. A, e BARBOSA, G. Dicionário de comunicação. 3. ed. São Paulo: Ática, 1998.
RAMOS, Sílvia (Org.). Mídia e racismo. Rio de Janeiro: Pallas, 2002.
SILVERSTONE, R. Por que estudar a mídia? São Paulo: Loyola, 2002.