01 fevereiro 2010

Enc: Miséria na Cultura





Miséria na cultura: decepção e depressão



Leonardo Boff* - Teólogo





Em 1930 Sigmund Freud escreveu seu famoso livro "O mal-estar na cultura"e já na primeira linha denunciava: "no lugar dos valores da vida se preferiu o poder, o sucesso e a riqueza, buscados por si mesmos". Hoje tais fatores ganharam tal magnitude que o mal-estar se transformou em miséria na cultura. A COP-15 em Copenhague trouxe a mais cabal demonstração: para salvar o sistema do lucro e dos interesses econômicos nacionais não se teme pôr em risco o futuro da vida e do equilíbrio do planeta já sob o aquecimento que, se não for rapidamente enfrentado, poderá dizimar milhões de pessoas e liquidar grande parte da biodiversidade.

A miséria na cultura, melhor, miséria da cultura se revela por dois sintomas verificáveis mundo afora: pela generalizada decepção na sociedade e por uma profunda depressão nas pessoas. Elas têm razão de ser. São conseqüência da crise de fé pela qual está passando o sistema mundial. De que fé se trata? A fé no progresso ilimitado, na onipotência da tecno-ciência, no sistema econômico-financeiro com seu mercado como eixos estruturadores da sociedade. A fé nesses deuses possuía seus credos, seus sumos-sacerdotes, seus profetas, um exército de acólitos e uma massa inimaginável de fiéis.

Hoje os fiéis entraram em profunda decepção porque tais deuses se revelaram falsos. Agora estão agonizando ou simplesmente morreram. Os G-20 em vão procuram ressuscitar seus cadáveres. Os professantes desta religião de fetiche, agora constatam: o progresso ilimitado devastou perigosamente a natureza e é a principal causa do aquecimento global; a tecnociência que, por um lado tantos benefícios trouxe, criou uma máquina de morte que só no século XX matou 200 milhões de pessoas e hoje é capaz de erradicar toda a espécie humana; o sistema-econômico-financeiro e o mercado foram à falência e se não fosse o dinheiro dos contribuintes, via Estado, teriam provocado uma catástrofe social. A decepção está estampada nos rostos perplexos dos lideres políticos, por não saberem mais em quem crer e que novos deuses entronizar. Vigora uma espécie de nihilismo doce.

Já Max Weber e Friedrich Nietszche haviam previsto tais efeitos ao anunciarem a secularização e a morte de Deus. Não que Deus tenha morrido, pois um Deus que morre não é "Deus". Nietszche é claro: Deus não morreu, nós o matamos. Quer dizer, Deus para a sociedade secularizada não conta mais para a vida nem para coesão social. Em seu lugar entrou um panteão de deuses, referidos acima. Como são ídolos, um dia, vão mostrar o que produzem: decepção e morte.

A solução não reside simplesmente na volta a Deus ou à religião. Mas em resgatar o que eles significam: a conexão com o todo, a percepção de que o centro deve ser ocupado pela vida e não pelo lucro e a afirmação de valores compartidos que podem conferir coesão à sociedade.
A decepção vem acolitada pela depressão. Esta é um fruto tardio da revolução dos jovens dos anos 60 do século XX. Ai se tratava de impugnar uma sociedade de repressão, especialmente sexual e cheia de máscaras sociais. Impunha-se uma liberalização generalizada. Experimentou-se de tudo. O lema era: "viver sem tempos mortos; gozar a vida sem entraves". Isso levou a supressão de qualquer intervalo entre o desejo e sua realização. Tudo tinha que ser na hora e rápido.

Disso resultou a quebra de todos os tabus, a perda da justa-medida e a completa permissividade. Surgiu uma nova opressão: o ter que ser moderno, rebelde, sexy e o ter que desnudar-se por dentro e por fora. O maior castigo é o envelhecimento. Projetou-se a saúde total, padrões de beleza magra até a anorrexia. Baniu-se a morte, feita espantalho.

Tal projeto, pós-moderno, também fracassou, pois não se pode fazer qualquer coisa com a vida. Ela possui uma sacralidade intrínseca e limites. Uma vez rompidos, instaura-se a depressão. Decepção e frustração são receitas para a violência sem objeto, para o consumo elevado de ansiolíticos e até para o suicídio, como vem ocorrendo em muitos países.

Para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se notam por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da "condição humana". Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a busca do "bem viver", base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer ter menos para ser mais.

Isso é esperançador. Nessa direção há que se progressar.

*Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível (3 vol.) Vozes 2008.








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28 janeiro 2010

Denúncia de som alto bate recorde




Denúncia de som alto bate recorde
Publicado em 27.01.2010

Primeiro dia da ofensiva lançada pelo Ministério Público registrou 129 reclamações. Recompensas podem chegar a R$ 2 mil, o que estimulou ligações

O Disque-Denúncia bateu recorde de ligações no primeiro dia da campanha educativa para combater a poluição sonora, lançada anteontem pelo Ministério Público de Pernambuco. Foram 129 denúncias em 24 horas. O canal recebia em média sete chamadas por dia desde 2000, quando foi criado. As reclamações mais comuns são sobre barulho causado por vizinhos. E ainda podem render recompensas de até R$ 2 mil. A percentagem das queixas deve ser divulgada no início de fevereiro. De 1º de janeiro até o último domingo, eram 146 reclamações, saltando ontem para 275. "O número de ligações referentes à perturbação sonora nunca atingiu esse patamar. É um recorde em dez anos de existência do canal", afirmou a coordenadora do Disque-Denúncia, Carmela Galindo.
O sucesso da campanha é resultado da divulgação de Lei Estadual da Proteção do Bem-Estar e do Sossego Público, que não permite barulho em nenhum horário do dia, além da recompensa oferecida aos incomodados. "A campanha está divulgando que o Disque-Denúncia também pode resolver esse tipo de reclamação", reforçou.
As pessoas que ligarem só receberão a recompensa caso o resultado da queixa seja positivo. Ou seja, se o causador da perturbação for punido. Se o dono de um estabelecimento comercial for notificado e não diminuir o barulho, o local será interditado. Aí, quem denunciou a irregularidade será recompensado. "O dinheiro só vai sair quando o responsável pelo barulho for punido", esclareceu Carmela Galindo.
As recompensas variam de R$ 100 a R$ 2 mil, dependendo da repercussão e do benefício para a sociedade. Para a denúncia de som alto, a recompensa corresponderá ao valor mínimo, diferentemente de quando uma casa de show desrespeitar a legislação com som acima do permitido. "O dinheiro é um estímulo, mas não pode ser o motivo principal das queixas, mas sim a conscientização de que em qualquer hora e lugar vai ter alguém descansando ou trabalhando e pode ser incomodado pelo barulho."
REGISTROS


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11 janeiro 2010

Enc: E agora?

Cientista: planeta
sofrerá resfriamento
nas próximas décadas



O mundo poderia estar em um período de temperaturas mais
baixas - e não de
aquecimento - como resultado de mudanças cíclicas nas
correntes oceânicas que
ocorrerão nos próximos 20 ou 30 anos. Isso é o que
afirma o professor Mojib
Latif, cientista do Instituto Leibniz, na Universidade de
Kiel, na Alemanha, e
autor de uma pesquisa Intergovernamental da ONU sobre
Mudança do Clima (IPCC).
As informações são do site do jornal britânico
Telegraph.



Segundo o site, o cientista questiona a visão amplamente
difundida de que a
temperatura mundial vai aumentar rapidamente nos próximos
anos. Mas Latif acredita
que a onda de frio será apenas uma interrupção
temporária na mudança do clima.
Em conferência da ONU realizada em setembro de 2009, o
professor disse que as
mudanças nas correntes oceânicas conhecidas como
'oscilação do Atlântico Norte'
poderiam ser mais fortes nas próximas décadas do que os
atos do homem
causadores do aquecimento global.



Controverso, o pesquisador afirma também que essas
flutuações podem ser
responsáveis por grande parte do aumento nas temperaturas
globais visto ao
longo dos últimos 30 anos. "Uma parte significativa
do aquecimento que nós
vimos de 1980 a 2000 e em períodos anteriores, no século
XX, deveu-se a esses
ciclos. Talvez cerca de 50% deles",
completou.



"Invernos como este se tornarão muito mais
prováveis. (...) O verão também
irá provavelmente ser mais frio e os derretimentos de
geleiras e do gelo do mar
vão diminuir. Por enquanto, o aquecimento global terá uma
pausa e pode muito
bem haver também algum arrefecimento".







__________________________________________________________________________________


06 janeiro 2010

Fwd: Carta de Gilberto Geraldo Garbi para Lula.

*Carta de Gilberto Geraldo Garbi para Lula.*

*Gilberto Geraldo Garbi foi um dos alunos classificados a seu tempo como UM
DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre
outras honrarias que recebeu daquela instituição.*

*Depois de graduado, desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor
Técnico e Diretor- Presidente, sendo depois Presidente da TELEBRAS, sendo,
depois, presidente da NEC.*


*A CAMINHO DOS 99,9999995%*
* (Gilberto Geraldo Garbi)**
**
Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que, segundo as últimas
pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordes anteriores de
popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva. *

*É, realmente, algo nunca antes visto nesse país e eu fiquei me perguntando
o que poderemos esperar das próximas consultas populares.
Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamais bateria
Hítler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder 82% de
aprovação. *

*Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixou para trás o
psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para Fidel Castro e
para aquele tiranete caricato da Coreia do Norte, cujo nome jamais me
interessei em guardar. *

*Mas Lula tem uma vantagem sobre os dois ditadores: aqui as pesquisas
refletem verdadeiramente o que o povo pensa, enquanto em Cuba e na Coreia do
Norte as pesquisas de opinião lembram o que se dizia dos plebiscitos
portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazar fica; NÃO, Salazar não
sai; brancos e nulos sendo contados a favor do governo.*

*(Quem nunca ouviu falar em Salazar, por favor, pergunte a um parente com
mais de 60). **
**Portanto, a popularidade de Lula ainda tem espaço para crescer, para
empregar essa expressão surrada e pedante, mas adorada pelos economistas. *

*E faltam apenas cerca de 16% para que Lula possa, com suas habituais
presunção e imodéstia, anunciar ao mundo que obteve a unanimidade dos
brasileiros em torno de seu nome, superando até Jesus Cristo ou outras
celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de alguma oposição.
Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia a dar a seu
hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero, porque de
99,9999995% você não passa.

Como você não é muito chegado em Aritmética, exceto nos cálculos
rudimentares dos percentuais sobre os orçamentos dos ministérios que você
entrega aos partidos que constituem sua base de sustentação no Congresso,
explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 de habitantes, um dos quais sou eu.
Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ou seja, 0,0000005% enquanto os
demais brasileiros totalizam os restantes 99,9999995%. Esses, talvez, você
possa conquistar, em todo ou em parte. Mas meus humildes 0,0000005% você
jamais terá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o
dinheiro com que você tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da
política brasileira, não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de
que **você foi o pior dentre todos os presidentes que tive a infelicidade de
ver comandando o Brasil em meus 65 anos de vida. **
**
**E minha convicção fundamenta-se em um fato simples: desde minha
adolescência, quando comecei a me dar conta das desgraças brasileiras e a
identificar suas causas, convenci-me de que na raiz de tudo está a
mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam a
esperteza e o sucesso a qualquer custo; dos que detestam o trabalho e o
estudo; dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal;
dos que almejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas;
dos que criam infindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos; dos que
desprezam a justiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa; dos que só
reclamam dos privilégios por não estar incluídos entre os privilegiados; dos
que enriquecem através dos negócios sujos com o Estado; dos que vendem seus
votos por uma camiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família; dos
que são de tal forma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas
prostitutas da política e beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas
migalhas do muito que lhes vem sendo roubado desde as origens dos tempos;
dos que são incapazes de discernir, comover-se e indignar-se diante de
infâmias. **
**
Antes e depois de mim, muitos outros brasileiros, incomparavelmente melhores
e mais lúcidos, chegaram à mesma conclusão e, embora sejamos minoria,
sinto-me feliz e honrado por estar ao lado de Rui Barbosa. Já ouviu falar
nele? *

*Como você nunca lê, eu quase iria sugerir-lhe que pedisse a algum de seus
incontáveis assessores que lhe falasse alguma coisa sobre a Oração aos
Moços... Mas, esqueça... Se você souber o que ele, em 1922, disse de
políticos como você e dos que fazem parte de sua base de sustentação, terá
azia até o final da vida.

Pense a maioria o que quiser, diga a maioria o que disser, não mudarei minha
convicção de que este País só deixará de ser o que é uma terra onde as
riquezas produzidas pelo suor da parte honesta e trabalhadora é saqueada
pelos parasitas do Estado e pelos ladrões privados eternamente impunes quando
a mentalidade da população e de seus representantes for profundamente
mudada. *

*Mudada pela educação, pela perseverança, pela punição aos maus, pela
recompensa aos bons, pelo exemplo dos governantes. *

*E você Lula, teve uma oportunidade única de dar início à mudança dessa
mentalidade, embalado que estava com uma vitória popular que poderia fazer
com que o Congresso se curvasse diante de sua autoridade moral, se você a
tivesse.*

*Você teve a oportunidade de tornar-se nossa tão esperada âncora moral, esta
sim, nunca antes vista neste País. *

*Mas não, você preferiu o caminho mais fácil e batido das práticas
populistas e coronelistas de sempre, da compra de tudo e de todos.*

*Infelizmente para o Brasil**, mas felizmente para os objetivos pessoais
seus e de seu grupo, você estava certo: para que se esforçar, escorado
apenas em princípios de decência, se muito mais rápido e eficiente é comprar
o que for necessário, nesta terra onde quase tudo está à venda? *

*Eu não o considero inteligente**, no nobre sentido da palavra,** porque uma
pessoa verdadeiramente inteligente, depois de chegar aonde você chegou,
partindo de onde você partiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e
sua malta alegremente surfam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de
vaidade e autoidolatria. *

*Mas reconheço em você uma esperteza excepcional:** **nunca antes neste País
um presidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as
piores qualidades da massa brasileira e de seus representantes**. *

*Esse é seu legado maior, e de longa duração: **o de haver escancarado a
lúgubre realidade de que o Brasil continua o mesmo que Darwin encontrou
quando passou por estas plagas em 1832 e anotou em seu diário: Aqui todos
são subornáveis.*

*Você destruiu as ilusões de quem achava que havíamos evoluído em nossa
mentalidade e matou as esperanças dos que ainda acreditavam poder ver um
Brasil decente antes de morrer. **
**Você não inventou a corrupção brasileira, mas fez dela um maquiavélico
instrumento de poder, tornando-a generalizada e fazendo-a permear até os
últimos níveis da Administração. *

*O Brasil, sob você, vive um quadro que em Medicina se chamaria de
septicemia corruptiva. *

*Peça ao Marco Aurélio para lhe explicar o que é isso. *

*Você é o sonho de consumo da banda podre deste País, o exemplo que os
funcionários corruptos do Brasil sempre esperaram para poder dar, sem
temores, plena vazão a seus instintos.** *

*Você faz da mentira e da demagogia seu principal veículo de comunicação com
a massa.** *

*A propósito, o que é que você sente, todos os dias, ao olhar-se no espelho
e lembrar-se do que diz nos palanques?*
*Você sente orgulho em subestimar a inteligência da maioria e ver que vale a
pena? *

*Você mentiu quando disse haver recebido como herança maldita a política
econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente
e que fez a economia brasileira prosperar.*

*Você mentiu ao dizer que não sabia do Mensalão.*

*Mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho.*

*Mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestar
contas.*

*Mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros cumpanheros pegos em
flagrante.*

*Mente quando, para cada plateia, fala coisas diferentes, escolhidas sob
medida para agradá-las.*

*Mentiu, mente e mentirá em qualquer situação que lhe convenha. **
**Por falar em Ongs, você comprou a esquerda festiva, aquela que odeia o
trabalho e vive do trabalho de outros, dando-lhe bilhões de reais através de
Ongs que nada fazem, a não ser refestelar-se em dinheiro público, viajar,
acampar, discursar contra os exploradores do povo e desperdiçar os recursos
que tanta falta fazem aos hospitais.
Você não moveu uma palha, em seis anos de presidência, para modificar as
leis odiosas que protegem criminosos de todos os tipos neste País sedento de
Justiça e encharcado pelas lágrimas dos familiares de tantas vítimas. *

*Jamais sua base no Congresso preocupou-se em fechar ao menos as mais
gritantes brechas legais pelas quais os criminosos endinheirados conseguem
sempre permanecer impunes, rindo-se de todos nós. *

*Ao contrário, o Supremo, onde você tem grande influência, por haver
indicado um bom número de Ministros, acaba de julgar que mesmo os condenados
em segunda instância podem permanecer em liberdade, até que todas as
apelações, recursos e embargos sejam julgados, o que, no Brasil, leva
décadas.*

*Isso significa, em poucas palavras, que os criminosos com dinheiro
suficiente para pagar os famosos e caros criminalistas brasileiros podem
dormir sossegados, porque jamais irão para a cadeia.*

*Estivesse o Supremo julgando algo que interessasse a seu grupo ou a suas
inclinações ideológicas, certamente você teria se empenhado de corpo e alma.
*

*Aliás, Lula, você nunca teve ideais, apenas ambições.** *

*Você jamais foi inspirado por qualquer anseio de Justiça. *

*Todas as suas ações, ao longo da vida, foram motivadas por rancores,
invejas, sede pessoal de poder e irrefreável necessidade de ser adorado e
ter seu ego adulado. *

*Seu desprezo por aquilo que as pessoas honradas consideram Justiça
manifesta-se o tempo todo: quando você celeremente despachou para Cuba
alguns pobres desertores que aqui buscavam a liberdade; quando você deu
asilo a assassinos terroristas da esquerda radical; quando você se aliou à
escória do Congresso, aquela mesma contra quem você vociferava no passado;
quando concedeu aumentos nababescos a categorias de funcionários públicos já
regiamente pagos, às custas dos impostos arrancados do couro de quem
trabalha arduamente e ganha pouco; quando você aumentou abusivamente as
despesas de custeio, sabendo que pouquíssimo da arrecadação sobraria para os
investimentos de que tanto carece a população; quando você despreza o mérito
e privilegia o compadrio e o populismo; e vai por aí.... Justiça, ora a
Justiça, é o que você pensa... **
**
Você tem dividido a nação, jogando regiões contra regiões, classes contra
classes e raças contra raças, para tirar proveito das desavenças que
fomenta. *

*Aliás, se você estivesse realmente interessado, como deveria, em dar aos
pobres, negros e outros excluídos as mesmas oportunidades que têm os filhos
dos ricos, teria se empenhado a fundo na melhoria da saúde e do ensino
públicos. *

*Mas você, no íntimo, despreza o ensino, a educação e a cultura, porque
conseguiu tudo o que queria, mesmo sendo inculto e vulgar. Além disso,
melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo? *

*E se há coisa que você e o Partido dos Trabalhadores definitivamente
detestam é o trabalho: então, muito mais fácil é o atalho das cotas, mesmo
que elas criem hostilidades entres as cores, que seus critérios sejam
burlados o tempo todo e que filhos de negros milionários possam valer-se
delas. **
**A Imprensa faz-lhe pouca oposição porque você a calou, manipulando as
verbas publicitárias, pressionando-a economicamente e perseguindo
jornalistas. *

*O que houve entre o BNDES e as redes de televisão? *

*O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, a Boris Casoy, a Salete Lemos? *

*Essa técnica de comprar ou perseguir é muito eficaz. *

*Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando dava a seus
eventuais opositores as opções: O plata, o plomo. Peça ao Marco Aurélio para
traduzir. Ele fala bem o Espanhol. *

*Você pode desdenhar tudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos
que não o bajulem. *
*Afinal, se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não é
maravilhoso, como explicar tamanha popularidade? *

*É fácil: políticos, sindicatos, imprensa, ONGs, movimentos sociais,
funcionários públicos, miseráveis, você comprou com dinheiro, bolsas, cotas,
cargos e medidas demagógicas. *

*Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas de
seu governo, **satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar,
em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantado
anteriormente, mas que caiu em seu colo**. *

*Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro e grande parte da população parece
estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a
relevar as mentiras, a corrupção, os desperdícios, os abusos e as injustiças
que marcam seu governo em troca do prato de lentilhas da melhoria econômica.
**
**É esse, em síntese, o triste retrato do Brasil de hoje. E, como se diz na
França, l´argent n´est tout que dans les siècles où les hommes ne sont rien.
*


*Você não entendeu, não é mesmo? Então pergunte à Marta. Ela adora Paris, e
há um bom tempo estamos sustentando seu gigolô franco-argentino... **
**
Gilberto Geraldo Garbi


29 dezembro 2009

Venha participar de Não quero fingir que não vi!

comunidade,social,crítica,protesto
DeSoRDeM
Olá meus queridos. Conto com a colaboração de vocês. Na verdade é uma tentativa. Vamos ver se funciona.
E que em 2010 deixemos de fingir que não vemos.

Abraços.

Nilo dos Anjos
Sobre Não quero fingir que não vi
Unidos, podemos quebrar modelos fracassados, mudar, criar! Chega de aceitar esse modelo de sociedade que valoriza o ter e não o ser.
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Avatar (Crítica) : Breno Ribeiro

Depois de não uma, mas duas impressões do filme, Avatar, de James Cameron, dispensa qualquer parágrafo introdutório.

Avatar
Por Breno Ribeiro

Há 12 anos atrás, era lançado o longa Titanic, dirigido e escrito pelo diretor James Cameron. Assim como seus filmes anteriores, Exterminador do Futuro original e a sequência, True Lies e a continuação de Alien, o romance a bordo do transatlântico foi um grande avanço no que diz respeito à tecnologia de efeitos visuais da sétima arte. Uma réplica em menor escala foi criada, por exemplo, para cenas que filmavam o navio por inteiro ou que se passavam em algumas partes específicas no exterior do mesmo. Outras réplicas foram feitas para as cenas do naufrágio onde, ao fim, foram adicionadas digitalmente água, fumaça e as pessoas que morriam durante a tragédia. Entretanto, mesmo diante da magnitude de seu último filme, Cameron conseguiu, em termos de efeitos visuais, superar a si mesmo na megaprodução Avatar.

Seguindo a linha sci-fi que marcou os primeiros trabalhos do diretor, o longa acompanha a história de Jake Sully (Sam Worthington), ex-fuzileiro naval que se tornou paraplégico durante uma guerra na Terra. Porém, depois da morte do irmão gêmeo, Jake é o único que tem um DNA compatível para controlar a réplica artificial – conhecida como Avatar – da raça extraterrestre Na’vi e, assim, se infiltrar no pitoresco planeta Pandora a fim de coletar as informações necessárias para os humanos. Entretanto, diante do novo mundo a sua frente e da cultura e costumes dos Na’vi, Jake se vê entre ajudar os humanos ou lutar ao lado dos extraterrestres para proteger Pandora.

Foram construídas para o filme réplicas quase perfeitas dos bustos dos atores principais com características Na’vi (como orelhas pontudas e crânios maiores). Além disso, uma nova tecnologia foi utilizada para capturar as expressões de face e dos olhos dos atores: uma versão melhorada do efeito que criou, por exemplo, a criatura Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis, o qual consistia em vários pontos ligados ao corpo do ator que seriam usados para criar o movimento da criatura. Com a técnica aprimorada de Cameron, que envolve ainda uma espécie de capacete com uma microcâmera na frente focando o rosto de quem o utiliza, os movimentos e expressões do elenco são capturados quase 100% e transportados para os personagens azuis. Desta forma, diferentemente do que acontecia com a criatura da Terra Média, em Pandora, os atores que ‘encenam’ os Na’vi podem ser prontamente reconhecidos, o que ajuda na identificação com os mesmos.

Para encarnar a raça azul de Pandora, cada personagem precisa se deitar em uma espécie de câmara e fechar os olhos, como se fosse dormir. É, portanto, interessante notar que ao fecharem os olhos, tais personagens são transportados para um mundo completamente novo que só poderia existir em sonhos. Pandora é talvez o melhor universo já criado para o cinema. Com uma fauna hostil – e de uma complexidade física que deve ter tirado noites de sono da equipe de efeitos – e uma flora de encher os olhos – das mais simples sementes flutuantes às duas árvores principais de Pandora, o planeta possui os mais belos tons já postos junto, como o roxo vibrante dos céus e o azul quase fluorescente de algumas plantas. O ambiente é tão encantador e belo que nem ao menos chegamos a questionar o personagem de Sam Worthington quando o mesmo pára durante uma expedição para brincar com flores que murcham em espiral quando tocadas ou quando ele se distrai em uma conversa com plantas cujas folhas ficam fluorescentes quando apertadas.

Não só a equipe de efeitos visuais está de parabéns, mas também aquela responsável pela criação da cultura Na’vi. Embora muito tenha sido mostrado ao longo do filme sobre a raça de três metros, ao final dos rápidos 161 minutos de projeção ainda há uma sensação de que poderíamos aprender muito mais com aquela maravilhosa espécie se tivéssemos tempo. Além disso, a língua Na’vi, embora soe estranhíssima, é usada ao longo da trilha sonora de James Horner (que também compôs Titanic e Aliens) em curtos corais. As composições de Horner são, ainda, perfeitas para cada momento do longa, dos afetos e amor entre Jake e Neytiri (Zoe Saldana) às cenas da épica guerra final. Por outro lado, a música-tema do projeto, “I See you”, distoa do filme em sua totalidade por focar em um dos aspectos secundários da trama.

Mesmo com as limitações que o uso da tecnologia de Cameron traz, Sam Worthington, Zoe Saldana e Sigourney Weaver conseguem dar a seus personagens a profundidade e emoção desejada em cada cena, tendo Zoe Saldana conseguido emocionar mesmo como Na’vi nativa. Contudo, o destaque fica por conta de Stephen Lang e seu raso vilão, Quaritch, que possui as falas mais divertidas do longa (“Não está acabado enquanto eu estiver respirando.”)

Diferente do trabalho anterior de Cameron como roteirista, o atual projeto do diretor não se baseia exclusivamente em um romance sem sal. Há romance, sim; porém ele é agora natural e apenas um dos fios condutores da trama. O que move a trama é a ambição dos humanos em relação às riquezas de Pandora, o que de certa forma remete a prática colonialista comum de séculos/anos atrás. Ainda, embora não comentado expositivamente ao longa da história, há referências claras à destruição natural causada pela chegada do homem (algo emblematizado pela cena da Árvore-casa, “Hometree” no original) que podem ser inferidas a partir de certas falas, como “Eles mataram a Mãe deles. Agora vão matar a de vocês.” Todavia, o roteiro e o desenvolvimento do mesmo contém falhas difíceis de ignorar e que soam, de certa forma, maniqueístas – sendo um bom exemplo o fato de uma certa arma ser usada contra um certo helicóptero (se é que se pode chamar assim) e não surtir efeito e, cenas depois, em uma situação contrária, a mesma arma funcionar contra um veículo voador do mesmo tipo do outro.

É, porém, altamente aconselhável que o filme seja assistido, se possível, em algum cinema em 3D. A tecnologia, que vem sendo altamente utilizada atualmente, atinge com o diretor James Cameron um novo significado. Nada de objetos sendo lançados em direção à câmera para lembrar o espectador de que ele está assistindo a um filme 3D. O que se vê aqui são efeitos em terceira dimensão singelos e que surgem naturalmente – o 3D é criado em função da narrativa e não o contrário. De pequenos mosquitos voando, sementes flutuantes e cinzas a curtas cenas de perseguição na floresta, o 3D é tudo menos evasivo.

Inovação é a palavra de ordem em Avatar. Inovando desde os efeitos especiais até a nova tecnologia 3D, o longa prossegue lançando o espectador cada vez mais para dentro do universo particular concebido na mente do diretor, sem com isso perder o fio da meada da trama. Diz-se que talvez haverá sequências para o filme. Depois de ver a pequena porção de Pandora que vi, não posso negar o gostinho de querer conhecer mais daquele maravilhoso planeta. Em todo caso, eu Vejo vocês lá.

28 dezembro 2009

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22 dezembro 2009

Tiê interpreta "Chá verde" no Estúdio Showlivre

Simples e lindo!! E linda!!!

Enc: O velho e o novo



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De: Paulo Roberto
Assunto: O velho e o novo

O velho e o novo


Miriam Leitão

A COP-15 não mudou o mundo, mas mudou o Brasil. A Conferência do Clima e a competição eleitoral fizeram a posição do Brasil se mover na direção certa. Há três meses, o Brasil tinha um discurso velho. Hoje, tem metas e um caminho. Um erro foi nomear a ministra Dilma como chefe da delegação. Sem ter nada a ver com coisa alguma, ela se apagou na negociação.

COP não é palanque. Aqui, em Copenhague, travou-se uma batalha de sutilezas escorregadias, de detalhes técnicos complexos, de linguagem cifrada. Numa situação assim, é fundamental conhecer o terreno, a técnica e o tema. Dilma Rousseff é recém- chegada à questão climática. Na verdade, seu histórico é hostil à causa que motiva todo esse esforço. Ao ser escolhida, ela imprimiu à atuação brasileira um amadorismo insensato. Além disso, neutralizou alguns dos nossos mais bem treinados negociadores.

O patético final da Conferência deixou a confusão brasileira mais aparente. Todo mundo foi saindo, e o ministro Carlos Minc assumiu a negociação, apesar de ter sido expressamente afastado de outras etapas das conversas e destratado pela ministra Dilma na primeira entrevista em Copenhague. Foi Carlos Minc que tirou o Brasil da envelhecida posição de se negar a assumir compromissos de redução da emissão. E foi apenas por ter mudado sua posição que o Brasil não chegou a Copenhague em situação constrangedora.

Na noite da última sexta, no fim da Conferência, um dos remanescentes da equipe brasileira era o embaixador especial do Clima Sérgio Serra. Apesar do título do seu cargo, Serra para entrar na salas das conversas precisava do crachá deixado por Marco Aurélio Garcia, outro que não se sabe o que fazia em Copenhague.

Na noite da negociação entre os 25 chefes de Estado, de quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, veterano de COPs, subiu o elevador do hotel onde estava hospedado com rosto de desconsolo, depois de admitir a jornalistas que não sabia o que estava acontecendo. Celso Amorim foi, entre outras reuniões, o grande negociador de Bali, onde, junto com a então ministra Marina Silva, trabalhou na negociação do Mapa do Caminho.

Na noite do Bella Center, o presidente Lula foi para uma reunião dos chefes de Estado sem Amorim e sem o embaixador Luiz Alberto Figueiredo. Os dois têm experiência, são profissionais treinados.

Quando Dilma Rousseff chegou a Copenhague, Figueiredo teve que acompanhar a ministra em reuniões que não tinham nada a ver com o andamento da negociação. Visivelmente constrangido.

Dilma, nos primeiros dias, se dedicou a atividades políticas para a delegação brasileira, que tinha o extravagante número de 700 pessoas. Fez discursos políticos para os aplausos dos áulicos em que confundia conceitos elementares do mundo climático, ou tropeçava nos atos falhos. A atividade formal à qual tinha que ter ido era a abertura oficial do segmento ministerial. Ela era a $brasileira nesse segmento. Na hora da reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, o príncipe Charles e a Nobel Wangari Maathai, Dilma convocou uma coletiva, na qual se dedicou a criticar a proposta feita pela senadora Marina Silva e pelo governador José Serra, seus prováveis competidores nas eleições de 2010. Aliás, a proposta de doação brasileira para um fundo foi defendida depois pelo próprio presidente da República.

Houve momentos constrangedores. Quando chegou à primeira reunião, para ser informada do que estava acontecendo na negociação cuja chefia ela iria assumir, a pergunta feita por Dilma Rousseff foi:

— Qual é a agenda da Marina e do Serra?

De Copenhague, também ela se mobilizou para adiar a votação de um projeto que poderia desafinar com o discurso feito pelo Brasil aqui. Era o projeto chamado "Floresta Zero". Outro foi aprovado com o apoio e mobilização da base parlamentar, o que reduziu os poderes do Ibama e deixou aos estados o poder de decisão sobre a reserva legal.

O governo brasileiro começou a mudar tão recentemente que os sinais da velha forma de pensar estão em todos os lugares. Por isso, a lei de mudança climática aprovada no Congresso tem escrita a seguinte sandice: diz que as metas são voluntárias. Alguém já viu uma lei que estabelece que aquilo que legislou é voluntário? Se está na lei, é lei.

A participação brasileira ganhou musculatura quando o presidente Lula chegou e estabeleceu seu contato direto com os outros chefes de Estado, mas ter ido embora, antes do fim, levando a chefe da delegação, já mostrava como foi sem sentido sua decisão de nomeá-la.

A estratégia político-eleitoral do Planalto era aproveitar a COP e pôr a ministra-candidata em contato com grandes líderes, produzir declarações e imagens para ser usadas na campanha. Em outros eventos está sendo feito isso. Mas numa negociação como essa a decisão foi a mais sem sentido que poderia ter sido tomada. Com o aumento da tensão negociadora, o Brasil foi se apagando na mesa de negociação, em parte porque os especialistas foram afastados e em parte porque ela não tinha condições de chefiar o grupo.

A reunião de Copenhague ficará na História como um momento de insensatez das lideranças do mundo. Em que se desperdiçou uma oportunidade de ousar e construir o futuro. Em que se escolheu uma resposta medíocre diante de um vasto desafio. Para o Brasil, ficou este outro sinal assustador: de que o governo quer usar qualquer momento, mesmo o mais inadequado, para montar palanques para a sua candidata.



15 dezembro 2009

RACISMO E PSICANÁLISE

O « BANZO » DO CONDE DE GOBINEAU
NO BRASIL



Paulo de QUEIRÓS SIQUEIRA (psiquiatra, psicanalista)
Tradução:Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO


Poucos escritores franceses do Século XIX contribuiram
tanto para as teorias do racismo como o Conde Joseph Arthur
de Gobineau (1816 - 1882).A obra que tornou-o lastimosamente
célebre teve como titulo : « Ensaio sobre a desigualdade
das raças humanas » (1). Este livro teve um grande sucesso
junto aos adeptos do nazismo que fizeram do mesmo uma de
suas referências fundamentais. Quais foram as teorias do
conde de Gobineau ? Leiamos para resumir as notas sobre o
ele contidas na edição do Larousse Universel de 1922, eù
seguida Nouveau Larousse Universel de 1948, o pequeno
Larousse de 1980 e enfim Le Petit Larousse Compact de 1999.A
evolução dos termos com os quais o célebre dicionário
resumiu as teorias de Gobineau conheceu ao longo do Século
XX uma evolução subtil. Não pdemos negligenciar tais
variações porque elas são sugnificativas das mudanças
das mentalidades no que diz respeito às complacências mais
ou menos evidentes para com as
teses racistas na França.

Vejamos o que escreveu o Larousse em 1922 a propósito do
Ensaio sobre as desigualdades das raças humanas. « Fundado
na idéia da raça como fator fundamental da história, ele
apresenta o ariano dolicocéfalo louro como o tipo da
humanidade superior. Com esta maneira de ver, Gobineau
favoreceu o orgulho pangermânico, seu sistema sendo,
especialmente, muito apreciado na Alemanha. Ele exerceu uma
grande influência sobre as idéias de Wagner ». A edição
do Nouveau Larousse Universel de 1948 salienta ainda a
grande influência de Gobineau sobre Wagner, concluindo : «
Os alemães interpretaram o sistema dele para tirarem
benefício».

Quase 40 ans depois, o pequeno Larousse passou em silêncio
as influências que recebeu Wagner e concluiu no final que o
Conde de Gobineau «influenciou os teóricos do racismo
germânico ».

Em 1999, contudo, o mesmo Petit Larousse mostrou-se desta
vez mais sutil a propósito do autor e de suas teorias,
escrevendo que o Ensaio sobre as desigualdades das raças
humanas « pretendia retraçar e explicar pelo processo
histórico da miscigenação, a marcha da humanidade para um
declínio inelutável ».Assim, a questão das teorias de
Gobineau sobre as « raças superiores »deixou de ser
mencionada. Outra nuança introduzida pelo Petit Larousse de
1999 em sua conclusão concernando o referido autor
consistiu em dizer que os « teóricos do racismo germânico
reivindicam as teorias do Conde mas « disfarçam as suas
teses ».

Dir-se-ia que o Petit Larousse procurasse atenuar o racismo
inerente às teorias de Gobineau, deixando supor que os
nazistas só utilizaram-nas de maneira disfarçada. Para o o
leitor que tivesse ainda necessidade de se convencer de que
as idéias de Gobineau fossem tão racistas, suas Cartas
brasileiras (2) constituem uma amostra mais do que
convincente.

Joseph Arthur de Gobineau, que era não somente escritor
mas também diplomata, ocupou o cargo de chefe de gabinete
de Alexis de Tocqueville, então Ministro das relações
exteriores da França de Napoleão III (3).Após haver
deixado este cargo afim de ocupar a função de primeiro
secretário de embaixadas em Berna, Hanovre e no Irão,
Gobineau foi enviado para o Brasil em 1869, por uma dessas
astúcias muito frequentes na história. Ele partiu a
contragosto, afim de representar a França perante um dos
povos mais mestiços do planeta.Conhecendo-se o papel
desempenhado pela mestiçagem em suas teorias, consideradas
como fator histórico tendo precipitado a humanidade num
declínio inelutável, este encontro do teórico racista com
o povo de mestiços é muito engraçado. A estadia no Brasil
foi para Gobineau uma grande provação, se considerarmos
seu estado de saúde do início até o fim de sua missão no
Rio. Esta, que durou pouco mais de um ano,
permitiu-lhe escrever numerosas cartas a sua esposa que
ficara na França. Nelas o Conde verteu sem nenhuma censura,
tudo de ruim que ele pensava da «ignominiosa canalha
brasileira. Todos mulatos, todos, todos, menos a família
imperial ! » exclamou numa de suas cartas (4).

Tendo chegado ao Brasil no fin de março de 1869, três
meses depois Gobineau já tinha um julgamento definitivo
sobre o seu povo: «O Brasil só pode tornar-se alguma coisa
se os brasileiros desaparecerem ; trata-se de uma
população inepta, viciada até a moela, pela qual não se
pode fazer nada, que se utilize a força física ou moral »
(5).

Gobineau, por que o povo brasileiro não era conforme à
idéia que ele tinha das raças superiores, procurou
refúgio ao lado do Imperador do Brasil, sua Majestade Dom
Pedro II e de sua Alteza a Imperatriz. E o escritor francês
teve muita sorte porque o Imperador era um homem realmente
excepcional! Ávido de tudo, espírito muito culto e
científico, homem de laboratório, admirador de Linné, Dom
Pedro manteve uma correspondência com Quatrefages durante
vinte anos. O Imperador brasileiro fez parte até dos
benfeitores do Instituto Pasteur de Paris.Ele era também um
grande poliglota, conhecia quatorze línguas e falava oito
ou nove de maneira fluente. Em suma, era um Monarca
esclarecido, o que deveria agradar o Conde, era um branco de
sangue azul, descendente das linhagens mais altas da
aristocracia européia. Porém muito cedo e apesar da
benevolente amizade do imperador por Gobineau (ele o recebia
duas, três vezes por semana no palácio) a saúde
do conde declinou muito depressa : « Você sabia que,
desde minha chegada, tenho sofrido, de maneira contínua, de
febre e de um abatimento insuportável ? Não se passa uma
semana sem que eu me sinta obrigado a deitar-me duas ou tres
vezes durante o dia, »escreveu a um amigo na Europa.Sua
degradação física e moral atingiu um tal ponto que o
próprio Imperador inquietou-se e aconselhou-o a voltar para
a França o mais cedo possivel. E Gobineau findou sendo
repatriado quase em situação de urgência.

Como pudeste imaginar que eu sofresse de nostalgia ou de
algo semelhante ?» perguntou o Conde a sua esposa. « Estou
realmente doente e o Rio vai me matar. Tenho outro coisa a
fazer do que deixar-me assim morrer » (6).

Devemos reconhecer que Gobineau sofreu no Rio de uma
doença semelhante, e muito frequente, que atingia os negros
brasileiros vindos da Africa para trabalhar como escravos.
Ao chegarem ao Brasil, numerosos negros reagiram às
condições desumanas da escravidão com uma melancolia
mortal denominada « banzo ».Este fenômeno alcançou
proporções epidêmicas tais e marcou tanto o espírito dos
brasileiros que a palavra « banzo », de origem africana
,faz parte doravante da língua comum para designar a
melancolia.

Naturalmente, poderiamos dizer que, por razões muito
diferentes, tanto o Conde como os negros africanos padeceram
de melancolia no Brasil, não pelas mesmas razões mas pela
mesma relação com a verdade do sujeito.

O próprio Freud colocou em « Luto e Melancolia » (7) a
questão : porque adoecer para alcançar uma… verdade ?
Que verdade teriam eles alcançado, o Conde e os escravos
africanos, para mergulharem numa melancolia, apenas chegados
ao Brasil ? Sem dúvida as causas não foram as mesmas, mas,
não poderíamos dizer que eles encontraram no Brasil a
verdade do ser-para-a- morte ? Os escravos, assim reduzidos
ao estatuto de simples objets do gozo do Outro, tornaram-se
mortos como sujeitos. Para o Conde, uma revelação poderia
ter-lhe ocorrido: O Brasil prefigurava o mundo futuro onde
não mais existiria um lugar para o Outro da raça pura, a
raça dos Mestres « arianos dolicocéfalos louros».Este
ideal do ego era feroz para os outros mas também para o
próprio Conde. A prova, a mestiçagem brasileira,
verdadeiro exemplo contrário ao sistema social que Gobineau
queria, agia já de maneira sorrateira ao desaparecimento da
ordem injusta de base racial
com a qual ele sonhava.

Gobineau deve ter percebido isto, a sua melancolia tendo
sido o resultado.Aqueles que acreditaram nesse delírio e
quiseram aplicá-lo mais tarde na Europa do Século XX, não
somente se enganaram mas arruinaram os seus países, seus
povos e semearam en toda parte onde passaram o genocídio, a
destruição e a miséria. A miscigenação universal- toda
a evolução do Século XX nos prova- conduz para um mundo
onde o Outro não existe, salvo sob as aparências do único
Mestre Absoluto, a Morte.

1) J. A. de Gobineau, Ensaio sobre as desigualdades das
raças humanas, 1853 - 1855, re-edição, Paris 1967.
2) J. A. de Gobineau,Cartas brasileiras, Éditions du
Delta, Paris, 1969.
3) Ver a propósito das relações de Gobineau com
Tocqueville, os comentários feitos por Jacques-Alain
Miller. Este salienta a ambiguidade de Alexis de Tocqueville
com relação a Arthur de Gobineau : ao mesmo tempo em que o
primeiro considerava o sistema da Desigualdade das raças
como «a tese mais injusta que se pudesse conceber nos dias
atuais » … um « sistema de manobras fraudulosas, uma
filosofia de diretor de haras », Alexis mostrava-se além
de complacente com o Conde Joseph Artur, correndo servir às
ambições de Gobineau no Ministério e na Academia.
Conforme : « Astros obscuros, hidras estreladas »

Enc: Confrontos em Copenhague





Confrontos em Copenhague

Leonardo Boff

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados.

Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais.

Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes.

Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas.

Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza.

Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão.

Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência.

Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões.

Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes.

Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano.

Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos.

Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos.

*Leonardo Boff é teólogo



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